Otan anuncia operação militar no Ártico após crise com Trump e provoca reação da Rússia
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, o lançamento de uma missão militar para fortalecer sua presença no Ártico. Denominada Arctic Sentry (Sentinela do Ártico, em tradução livre), a iniciativa coordenará um efetivo constante de tropas nos territórios da região, incluindo a Groenlândia, território dinamarquês que foi alvo de desejo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Unificação de esforços militares na região estratégica
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, explicou a repórteres que esta é a primeira vez que a aliança reúne todas as suas atividades no Ártico sob um único comando. "Ao fazer isso, não só vamos aproveitar o que estamos fazendo de forma muito mais eficaz, como também poderemos avaliar quais lacunas existem e quais precisamos preencher", afirmou Rutte. A missão inicialmente integrará operações já planejadas por países-membros com territórios árticos, como o Arctic Endurance da Dinamarca e o Cold Response da Noruega.
Um oficial da Otan declarou ao portal EuroNews que a nova iniciativa demonstra como a aliança busca "se antecipar" a possíveis ameaças, com foco especial na Rússia e na China. O planejamento da operação começou em janeiro, logo após uma conversa entre Trump e Rutte no Fórum Econômico Mundial, em Davos, quando a crise da Groenlândia atingia seu ponto mais alto.
Crise da Groenlândia e papel de Trump
Durante o auge da crise, Donald Trump insistia que os Estados Unidos necessitavam da Groenlândia para fins de segurança nacional, destacando sua localização estratégica para detectar mísseis chineses e russos de longo alcance. Embora líderes ocidentais tenham apontado que os EUA já possuíam uma base militar na ilha e poderiam estabelecer uma segunda devido a um acordo de 1951, Trump não recuava em suas ambições.
Após o encontro com Rutte, no entanto, o presidente americano concordou que a Otan teria um papel mais amplo na segurança da região e declarou não pretender usar a força para tomar o território — uma posição que ele se recusava a adotar anteriormente. A missão Arctic Sentry ficará sob a liderança do Comando de Forças Conjuntas da aliança em Norfolk, no estado americano da Virgínia.
Resposta imediata da Rússia com ameaças militares
O anúncio da Otan gerou uma resposta rápida e firme da Rússia, nação frequentemente citada por Trump como uma ameaça à região. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou durante discurso ao Parlamento que Moscou responderá a qualquer reforço militar ocidental no Ártico com "medidas militares".
"Obviamente, se houver uma militarização da Groenlândia e a criação de capacidades militares direcionadas à Rússia, responderemos com medidas adequadas, incluindo medidas técnico-militares", declarou Lavrov. Esta postura reflete as tensões geopolíticas crescentes em uma das áreas mais estrategicamente significativas do mundo.
Compromisso da aliança com a estabilidade regional
O general da Força Aérea Americana Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado da Otan na Europa, ressaltou que a operação Arctic Sentry "destaca o compromisso da Aliança de proteger seus membros e manter a estabilidade em uma das áreas mais estrategicamente significativas e ambientalmente desafiadoras do mundo". A iniciativa representa uma escalada estratégica em um cenário onde disputas sobre o futuro da Groenlândia e a presença militar no Ártico continuam a moldar as relações internacionais.
Com a coordenação de tropas e a antecipação de ameaças, a Otan busca consolidar sua posição na região, enquanto a Rússia se prepara para contra-medidas que podem intensificar ainda mais as rivalidades geopolíticas no extremo norte do planeta.