Opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa é preso novamente horas após libertação
Opositor venezuelano preso novamente após libertação

Líder opositor venezuelano é detido novamente após breve período de liberdade

O cenário político da Venezuela foi novamente abalado por um episódio de tensão envolvendo um dos principais nomes da oposição ao governo. Juan Pablo Guanipa, líder do partido conservador Primero Justicia e aliado próximo da vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, foi preso novamente poucas horas após ter sido libertado da prisão onde estava detido desde maio de 2025.

Detenção ocorre em Caracas e gera acusações de sequestro

Segundo relatos da própria oposição venezuelana, a detenção de Guanipa ocorreu de maneira violenta no bairro de Los Chorros, em Caracas. Homens fortemente armados e à paisana chegaram em quatro veículos e levaram o político à força, conforme descrito por María Corina Machado em suas redes sociais.

A líder opositora não poupou palavras ao classificar o ocorrido, afirmando categoricamente que se tratou de um "sequestro" perpetrado por órgãos repressivos do que ela chama de ditadura venezuelana. Em comunicado oficial, o partido Primero Justicia endossou a acusação e responsabilizou diretamente a presidente interina Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, por qualquer dano à vida do líder político.

Ministério Público apresenta versão diferente dos fatos

Enquanto a oposição fala em sequestro, o Ministério Público venezuelano apresentou uma narrativa completamente diferente para justificar a nova detenção de Guanipa. Segundo o órgão, o político violou os termos estabelecidos para sua libertação, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre quais condições teriam sido descumpridas.

O Ministério Público emitiu um comunicado lembrando que "as medidas cautelares acordadas pelos tribunais estão condicionadas ao estrito cumprimento das obrigações impostas". Pouco tempo após a detenção, a Procuradoria-Geral da Venezuela anunciou que havia solicitado ao tribunal que Guanipa fosse submetido a um regime de prisão domiciliar.

Contexto político da detenção e libertações recentes

A prisão de Juan Pablo Guanipa ocorre em um momento particularmente delicado para a política venezuelana. O líder do Primero Justicia havia sido detido inicialmente em maio de 2025, após questionar publicamente a vitória de Nicolás Maduro nas eleições de 2024, pleito que a oposição considera marcado por falta de transparência.

Sua libertação no final de semana fazia parte de uma sequência de solturas de presos políticos anunciada pelo governo interino de Delcy Rodríguez. Desde que os Estados Unidos atacaram território venezuelano em 3 de janeiro de 2026, numa operação que levou à captura do ditador deposto Nicolás Maduro, centenas de pessoas teriam sido libertadas.

O governo interino classifica essas libertações como "gesto de boa fé" sem relação com exigências da Casa Branca de Donald Trump. No entanto, organizações de direitos humanos como o Foro Penal contestam os números oficiais, afirmando que o total de presos políticos soltos desde 8 de janeiro é significativamente menor do que o anunciado pelas autoridades.

Perfil do político e reações à sua situação

Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, é uma figura central na oposição venezuelana. Antes de ser detido novamente, ele havia postado em suas redes sociais vídeos nos quais aparecia conversando com jornalistas e uma multidão de apoiadores. Nessas aparições, o político pediu a libertação de outros presos políticos e classificou o atual governo como ilegítimo.

Sua família havia relatado recentemente que o viu pessoalmente pela primeira vez em meses, afirmando que ele estava em boa saúde física. A acusação formal contra Guanipa, feita pelo ministro Diosdado Cabello, alega que ele liderava uma trama terrorista para sabotar a eleição legislativa do ano passado.

O caso de Guanipa se soma a outras libertações recentes de figuras opositoras, incluindo:

  • Perkins Rocha, advogado da equipe jurídica de María Corina Machado
  • Dignora Hernández, secretária política do partido Vente Venezuela
  • María Oropeza, chefe do Comando ConVenezuela
  • Luis Tarbay, coordenador das equipes internacionais do comando
  • Catalina Ramos, coordenadora nacional de associações cidadãs

Este episódio reforça as tensões políticas na Venezuela e evidencia as profundas divergências entre governo e oposição sobre o tratamento dado a dissidentes políticos no país.