Escolha do novo líder supremo do Irã divide Rússia e EUA em posições antagônicas
A eleição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã colocou a Rússia e os Estados Unidos em lados diametralmente opostos no cenário geopolítico internacional. Enquanto o presidente norte-americano Donald Trump manifestou publicamente sua infelicidade com a escolha, o líder russo Vladimir Putin prometeu apoio inabalável ao sucessor do aiatolá Ali Khamenei.
O processo de seleção e o perfil do escolhido
A lista de cotados para ocupar o posto de líder supremo variava entre cinco e oito nomes, incluindo figuras consideradas moderadas como o ex-presidente Hassan Rouhani e Hassan Khomeini, neto do fundador do regime dos aiatolás. Contudo, prevaleceu a linha dura com a escolha de Mojtaba Khamenei, veterano da guerra Irã-Iraque que, aos 56 anos, nunca ocupou cargos políticos formais.
Mojtaba atuava nos bastidores do poder e mantém ligações profundas com a Guarda Revolucionária e o corpo de elite das forças Quds. Analistas internacionais o consideram mais próximo ao aparato repressivo do regime do que seu próprio pai, o aiatolá Ali Khamenei.
Poderes do líder supremo e contexto repressivo
Como explica Eric Lob, professor de política externa da Universidade da Flórida, "o líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa" do Irã, com poderes que incluem:
- Comando das forças armadas
- Supervisão da imprensa estatal
- Controle sobre o Conselho dos Guardiões, que pode vetar candidatos à presidência e ao Parlamento
- Poder de veto sobre leis aprovadas pelo Congresso
Este contexto ganha dimensão preocupante quando se considera que foi a Guarda Revolucionária que orquestrou o massacre de até 30 mil pessoas, segundo grupos de direitos humanos, nos dias 8 e 9 de janeiro, durante protestos que começaram contra a crise econômica e se tornaram a maior revolta da história contra o regime.
Reações internacionais divergentes
Oficialmente, a Assembleia de Especialistas do Irã elegeu Mojtaba Khamenei conforme determina a legislação do país. Porém, fontes da imprensa internacional afirmam que a Guarda Revolucionária teve influência direta na escolha, enviando uma mensagem clara de desafio aos Estados Unidos.
Na semana anterior à eleição, Donald Trump já havia declarado que o nome de Mojtaba era "inaceitável para os americanos". Nesta segunda-feira (9), em entrevista à rede Fox News, reafirmou seu descontentamento com a escolha.
Em contraste, Vladimir Putin parabenizou formalmente o novo líder supremo e ofereceu apoio inabalável. A China, por sua vez, limitou-se a afirmar que o processo seguiu o previsto na Constituição iraniana, sem fazer comentários adicionais.
Implicações geopolíticas e tensões regionais
O professor Lob explica que "Trump tinha planos de encontrar alguém dentro do regime, como fez na Venezuela, para defender os interesses dos Estados Unidos", incluindo garantir acesso a gás, petróleo e minerais. A escolha de Mojtaba representa, portanto, uma forte mensagem de resistência.
Israel já advertiu que o sucessor de Ali Khamenei seria alvo de assassinato devido à sua postura declaradamente contrária ao Estado judeu e às suas ligações com grupos extremistas como Hamas e Hezbollah. Mojtaba, que perdeu o pai, a mãe, a esposa e um filho em ofensivas anteriores, já era conhecido por suas posições antiamericanas e anti-israelenses antes mesmo da eleição.
Esta mudança na liderança iraniana promete reconfigurar as dinâmicas de poder no Oriente Médio e testar as relações entre as principais potências globais nos próximos anos.



