A divulgação de uma nova pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira, 13, será acompanhada com atenção redobrada pelo mercado político. Isso ocorre após uma sequência de levantamentos que apontam equilíbrio crescente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os dados mais recentes de AtlasIntel, Real Time Big Data e Meio/Ideia consolidaram um cenário de polarização intensa. Lula ainda se mantém competitivo no primeiro turno, mas enfrenta dificuldades cada vez maiores em simulações de segundo turno. A nova rodada da Quaest deve ajudar a responder três perguntas centrais para a corrida presidencial de 2026.
1. Flávio consolidou o crescimento?
O principal foco da nova pesquisa será medir se o avanço de Flávio observado nas últimas semanas se estabilizou ou continua crescendo. Nos levantamentos mais recentes sobre segundo turno, a AtlasIntel mostrou empate técnico de 47,8% a 47,5% para Flávio e Lula; a Meio/Ideia registrou 45,3% a 44,7%; e a Real Time Big Data apontou 44% a 43% para o senador do PL.
Embora todas as diferenças estejam dentro da margem de erro, o dado político relevante é a repetição do padrão. Flávio deixou de aparecer como aposta incerta da direita e passou a ser tratado como herdeiro consolidado do eleitorado bolsonarista, com transferência consistente de votos de Jair Bolsonaro.
Outro ponto observado pelos institutos é a tentativa do senador de construir uma imagem menos radical do que a do pai, buscando ampliar pontes com setores moderados da direita e do mercado. A nova Quaest mostrará se essa estratégia continua funcionando.
2. Lula encontrou um piso ou continua desgastado?
O segundo grande ponto de atenção é o tamanho real da vulnerabilidade do presidente Lula. Embora o petista siga liderando a maioria dos cenários de primeiro turno, as pesquisas mostram erosão gradual de sua vantagem no segundo turno.
O principal alerta para o Planalto é a combinação de desgaste do governo, inflação persistente em itens do cotidiano, percepção negativa da economia e rejeição elevada. Mesmo com indicadores econômicos positivos, parte relevante do eleitorado continua afirmando que sente piora financeira, está mais endividada e não percebe melhora concreta na renda.
A Quaest deve indicar se Lula estabilizou sua base eleitoral ou se ainda perde terreno em segmentos estratégicos, especialmente no Sudeste e entre eleitores independentes.
3. Ainda existe espaço para uma terceira via?
Outro dado central será o desempenho de candidatos fora da polarização principal. Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) continuam aparecendo como os nomes mais competitivos da chamada terceira via, mas seguem atrás de Lula e Flávio em praticamente todos os cenários.
As pesquisas anteriores mostraram que Lula mantém força no Nordeste, Flávio lidera no Sul e o Sudeste tende a decidir a eleição. O problema para candidatos alternativos é que a polarização entre lulismo e bolsonarismo continua concentrando a maior parte do eleitorado. Mesmo assim, os índices elevados de rejeição dos dois principais candidatos mantêm aberta a possibilidade de movimentações futuras.
Outro fator relevante será o tamanho dos indecisos, votos brancos e nulos e eleitores que dizem poder mudar de voto.
Por que a nova Quaest será tão observada?
A pesquisa será divulgada em um momento de forte tensão política, com desgaste do governo no Congresso, investigações envolvendo o Banco Master, debates sobre inflação e avanço da polarização nacional. O fator positivo para Lula pode ser a repercussão da reunião com o presidente americano Donald Trump na semana passada, em que o petista ganhou elogios do ex-adversário.
O levantamento desta semana poderá indicar se a disputa Lula x Flávio já entrou em um estágio de consolidação definitiva — ou se ainda haverá espaço para mudanças relevantes até outubro.



