Encontro estratégico na Casa Branca discute tensões no Oriente Médio
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou à Casa Branca nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, para um encontro crucial com o presidente americano Donald Trump. Esta visita marca o sétimo encontro entre os dois líderes desde que Trump retornou à presidência dos Estados Unidos, demonstrando a continuidade da estreita relação bilateral.
Agenda carregada: Irã e Gaza no centro das discussões
Antes de partir para Washington, Netanyahu já havia indicado que a situação em Gaza estaria entre "uma série de questões" a serem abordadas durante a reunião no Salão Oval. No entanto, as negociações com o Irã parecem ocupar lugar de destaque na pauta diplomática.
Na véspera do encontro principal, o premiê israelense já se reunira com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com seu genro Jared Kushner na capital americana. Segundo informações do gabinete de Netanyahu, a dupla "forneceu uma atualização sobre a primeira rodada de negociações que realizaram com o Irã na última sexta-feira".
Pressão por postura mais dura contra Teerã
Espera-se que Netanyahu pressione Trump a adotar uma posição mais firme nas negociações com o Irã, conforme indicado pela agência de notícias Reuters. "Apresentarei ao presidente nossa perspectiva sobre os princípios dessas negociações", declarou Netanyahu antes de viajar para Washington.
Israel busca que qualquer acordo potencial entre Teerã e Washington inclua:
- Limites rigorosos ao programa de mísseis balísticos iranianos
- Fim do apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio, como Hamas e Hezbollah
Enquanto isso, o regime dos aiatolás insiste que as discussões se concentrem exclusivamente na questão nuclear, criando um ponto de tensão nas negociações.
Contexto das negociações EUA-Irã
Estados Unidos e Irã reuniram-se na sexta-feira, 6 de fevereiro, em Omã para discutir um possível acordo que imporia limites ao programa de enriquecimento de urânio da nação persa. Este foi o primeiro encontro diplomático entre os países desde que Washington se aliou a Israel durante uma guerra aérea de 12 dias em junho do ano anterior, que terminou com bombardeios americanos a três importantes instalações nucleares iranianas.
Trump expressou otimismo, afirmando que desta vez o Irã "deseja muito fechar um acordo", em contraste com reuniões semelhantes realizadas no primeiro semestre de 2025. No entanto, na terça-feira, o presidente americano já havia ameaçado enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar medidas "muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem.
Segunda fase do cessar-fogo em Gaza
Netanyahu e Trump também devem abordar a implementação da segunda fase do cessar-fogo em Gaza, iniciada em janeiro. A proposta estabelece que Gaza deverá se tornar uma zona "desradicalizada", livre de grupos extremistas.
Sob os termos da trégua, o enclave palestino passará por um processo de reconstrução com apoio de um comitê composto por:
- Tecnocratas palestinos
- Especialistas internacionais
A supervisão será realizada por um novo órgão internacional de transição, o "Conselho da Paz", que será presidido por Trump com a participação de outros chefes de Estado e membros.
Plano de desenvolvimento para Gaza
A ideia central é implementar um plano de desenvolvimento idealizado pela Casa Branca para "reconstruir e energizar Gaza" através da convocação de um painel de especialistas que contribuíram para o desenvolvimento de cidades prósperas no Oriente Médio. Paralelamente, será estabelecida uma zona econômica especial com tarifas preferenciais e taxas de acesso a serem negociadas com os países participantes.
A chegada de Netanyahu à Casa Branca ocorreu de forma mais discreta do que o habitual, com o premiê israelense entrando por um prédio afastado de repórteres e câmeras, sugerindo a natureza sensível das discussões que se seguiriam entre os dois aliados estratégicos.