Multidão toma as ruas de Teerã em apoio ao novo líder supremo do Irã
Uma imensa concentração popular tomou conta da Praça da Revolução, no coração de Teerã, nesta segunda-feira, 9 de março de 2026. Milhares de cidadãos iranianos reuniram-se para demonstrar lealdade e apoio ao aiatolá Mojtaba Khamenei, recentemente nomeado como o novo líder supremo da República Islâmica do Irã.
Sucessão anunciada após morte do antigo líder
A mobilização ocorre apenas um dia após a Assembleia de Peritos do Irã – o órgão clerical responsável pela escolha do líder supremo – anunciar oficialmente a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei. O antigo líder faleceu em 28 de fevereiro, vítima de ataques coordenados atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, em meio à escalada do conflito regional.
Em comunicado divulgado no domingo, o conselho afirmou ter eleito o religioso "por votação decisiva" como o terceiro líder supremo desde a Revolução Islâmica de 1979. Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, Mojtaba é o segundo filho de Ali Khamenei, que liderou o país por quase quatro décadas.
Cenário de tensão e postura de confronto
As imagens transmitidas pela emissora estatal Press TV mostram uma multidão densa ocupando a praça central da capital iraniana. Os participantes carregavam bandeiras nacionais, retratos do novo líder, cartazes e placas em apoio à nova liderança.
Analistas internacionais consideram Mojtaba Khamenei um clérigo de linha dura, e sua escolha é vista como um sinal de que a liderança iraniana pretende manter uma postura de confronto e resistência diante das pressões externas. No sistema político do Irã, o líder supremo ocupa o posto mais poderoso, com palavra final sobre as principais decisões de Estado e atuando como comandante-chefe das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária Islâmica.
Reações internacionais e críticas de Trump
A nomeação, no entanto, gerou reações imediatas de líderes internacionais. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ao jornal New York Post que "não está feliz" com a escolha. Quando questionado sobre suas intenções, Trump respondeu de forma evasiva: "Não vou dizer. Não estou feliz com a escolha dele."
Na semana passada, Trump já havia afirmado que o nome de Mojtaba seria "inaceitável", sugerindo que os Estados Unidos deveriam ter um papel na escolha do próximo líder supremo – uma decisão que cabe exclusivamente à assembleia de clérigos muçulmanos xiitas, em sua maioria fortemente contrários aos interesses norte-americanos.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu recentemente que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria "um alvo". Em entrevista ao site de notícias Axios, Trump fez uma comparação com a Venezuela, afirmando: "O filho de Khamenei é um peso-leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy", referindo-se à presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez.
Futuro incerto e possibilidade de conflito
O novo líder supremo assume o poder em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Em suas declarações ao Axios, Trump alertou que os Estados Unidos provavelmente voltariam à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no comando do Irã.
Enquanto isso, as ruas de Teerã continuam a ecoar com manifestações de apoio, demonstrando a complexidade geopolítica que envolve esta transição de poder. O juramento de lealdade da multidão iraniana contrasta com as críticas e ameaças vindas do exterior, configurando um cenário de incertezas para os próximos capítulos da política regional.
