Moradores de Campinas relatam terror em Dubai durante ataques do Irã
Moradores de Campinas em pânico durante ataques em Dubai

Brasileiros de Campinas vivem momentos de terror durante ataques iranianos em Dubai

Em meio a uma escalada de tensão no Oriente Médio, moradores da região de Campinas que estavam nos Emirados Árabes Unidos relataram experiências aterrorizantes neste sábado (28), com sons de explosões, alertas de mísseis e cancelamentos massivos de voos. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou ter destruído 132 mísseis e 195 drones provenientes do Irã ao longo do dia, enquanto companhias aéreas suspenderam operações em toda a região.

Passeio no Burj Khalifa transformado em cenário de guerra

O comerciante Ricardo Camargo, residente em Hortolândia, estava em Dubai com a esposa quando os ataques começaram. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, ele descreveu ter ouvido explosões durante um passeio já agendado no icônico Burj Khalifa. "Hoje, a gente ouviu bastante bombas. Tínhamos um passeio no Burj Khalifa, às 10 horas da manhã. Não quisemos perder, pois já estava pago. Fomos para lá e estava vazio, o shopping vazio, o que não é comum", relatou Camargo.

O comerciante detalhou que, ao subir para o 128º e 145º andares, encontrou os espaços totalmente desertos. "Lá em cima, tirando fotos, de repente uma bomba estourou bem lá no canto de Dubai. Perguntamos aos funcionários e eles não falavam a verdade. Até que um rapaz da limpeza confirmou: 'uma bomba'", contou, evidenciando a atmosfera de medo e desinformação.

Alertas no celular e busca por abrigo em meio ao caos

O estudante de medicina da Unicamp, Victor Afonso, que estava em Doha, no Catar, para um intercâmbio e havia ido a Dubai no dia 26 de fevereiro, enfrentou o pânico ao tentar retornar no dia 28. Ao chegar ao aeroporto de Dubai, encontrou guichês fechados e voos cancelados. Victor recebeu alertas no celular sobre ameaça de míssil e buscou refúgio dentro do hotel onde estava hospedado.

"Na hora que recebi o primeiro alerta, estava deitado na cama do hotel. Como ficava perto da janela, achei prudente ir para o banheiro. Logo em seguida, recebi outro alerta mais ameaçador. Aí sim, fui para a escadaria do hotel, que tinha uma proteção maior", explicou o estudante. Ele acrescentou que os alertas orientavam as pessoas a ficarem em abrigos e longe de janelas, e que mal conseguiu dormir durante a noite devido às explosões constantes.

Sirenes e desespero em hotéis de luxo

A advogada Gabriela Kobayashi, moradora de Campinas, viajava com o marido por Abu Dhabi e Dubai quando a situação se agravou. Ela descreveu que, após dias de passeio tranquilo, começou a ouvir sirenes pela cidade e recebeu notificações urgentes para procurar abrigo. "Eu estava tomando banho e o alarme do hotel tocou. Ouvimos sirenes na cidade toda, e nossos aplicativos, incluindo o WhatsApp, tocaram muito forte com notificações. A mensagem dizia: 'pegue itens necessários e vá a um local seguro'", relatou Kobayashi.

Ao descer para o saguão do hotel, a advogada encontrou outros hóspedes em estado de desespero. "Vimos uma menina passando mal, vomitando, muita gente chorando. Você vem para cá e não acha que vai passar por essa situação", disse ela, destacando que a orientação da embaixada foi para permanecerem no hotel, mas há poucas informações oficiais circulando entre os turistas.

Impactos nos aeroportos e incêndios em pontos turísticos

Além do caos generalizado, incêndios eclodiram em locais emblemáticos, como perto do hotel Burj Al Arab e na ilha artificial de Palm Jumeirah, em Dubai. Fontes ouvidas pela agência Reuters indicam que ainda não está claro se os aeroportos sofreram impactos diretos ou se os danos foram causados por destroços de mísseis interceptados. Os aeroportos de Dubai e Abu Dhabi, dois dos principais hubs da aviação mundial para viagens internacionais, foram fortemente afetados pelas suspensões.

Os relatos dos brasileiros de Campinas ilustram como a tensão geopolítica no Oriente Médio pode impactar diretamente civis em viagem, transformando destinos turísticos luxuosos em cenários de emergência e medo. A situação permanece instável, com autoridades monitorando de perto os desenvolvimentos na região.