Mineira denuncia falta de apoio do Brasil em cruzeiro parado em Dubai após alertas de mísseis
Mineira cobra resgate em cruzeiro parado em Dubai com alertas de mísseis

Mineira denuncia falta de apoio do Brasil em cruzeiro parado em Dubai após alertas de mísseis

Brasileiros que estão a bordo do navio MSC Euríbia, ancorado no porto de Dubai devido à escalada do conflito no Oriente Médio, denunciaram nesta quinta-feira (5) uma grave falta de orientação e auxílio por parte das autoridades brasileiras. Segundo relatos, mais de 200 passageiros permanecem dentro da embarcação, sem previsão de saída, em meio a alertas constantes de mísseis na região.

Tensão e incerteza a bordo

A empresária mineira Ana Paula de Oliveira Graciani, natural de Poços de Caldas (MG), descreveu um clima de incerteza e desorganização no navio. "Não tem informação concreta nenhuma. Estamos totalmente desorganizados. Estamos todos aqui aguardando a resposta do consulado brasileiro", afirmou ela. Os passageiros continuam recebendo alertas de mísseis em seus celulares diariamente, aumentando o medo e a sensação de risco.

O MSC Euríbia está parado desde o fim de semana, quando foram emitidos alertas sonoros sobre possíveis mísseis. Como medida de segurança, a viagem, que incluía paradas em Doha, Bahrein e Abu Dhabi, foi cancelada. Ana Paula relatou que até mesmo fumaça foi avistada na cidade a partir do navio, mas sem explicações claras sobre sua origem.

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Falta de ação do consulado brasileiro

A empresária contou que o consulado brasileiro visitou o local, mas não apresentou soluções práticas. "O consulado brasileiro já veio aqui, nada resolveu. Falou que era pra gente ficar tranquilo, mas que cada um ia ver o seu voo", disse ela. Em contraste, passageiros de outras nacionalidades estão sendo retirados com apoio direto de seus governos.

Por exemplo, o governo da Espanha fretou um avião para repatriar seus cidadãos e enviou um ônibus para buscá-los no porto, levando-os até Omã, de onde partiriam para Madri. Algumas vagas foram disponibilizadas a passageiros de outras nacionalidades, mas os brasileiros rejeitam essa alternativa e exigem uma ação específica do governo federal.

Reivindicações por resgate imediato

Os brasileiros a bordo estão unidos em sua demanda por um resgate direto. "Estamos aqui com os brasileiros. Todo mundo não concorda com isso. Queremos ficar aqui. Queremos uma resposta do consulado. Queremos que o governo brasileiro frete um avião e nos tire daqui. Nós estamos correndo risco de vida", declarou Ana Paula. Eles argumentam que, enquanto outros países agem rapidamente, o Brasil parece negligente.

Em nota ao g1, o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Abu Dhabi, informou que tem ciência do caso e o acompanha, prestando assistência consular e mantendo contato com as autoridades locais. No entanto, os passageiros afirmam que essa assistência tem sido insuficiente diante da urgência da situação.

Contexto do conflito no Oriente Médio

A tensão no navio reflete a escalada do conflito na região. Forças armadas dos Estados Unidos e de Israel promoveram um ataque coordenado ao Irã no sábado (28), resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei e de chefes militares. Em resposta, o Irã lançou ataques contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio, com diversos países sendo afetados.

O Irã classificou a morte de Khamenei como uma 'declaração de guerra contra os muçulmanos' e prometeu vingança, enquanto o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou usar "força nunca antes vista" caso as retaliações continuem. Este cenário de instabilidade tem impactado diretamente a segurança de turistas e residentes na área, incluindo os brasileiros no MSC Euríbia.

Os passageiros seguem aguardando uma solução concreta, enquanto a comunidade internacional monitora os desdobramentos do conflito e suas consequências humanitárias.

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