Presidente argentino reforça posição contra o Irã em cerimônia de atentado
O presidente da Argentina, Javier Milei, participou de uma cerimônia solene nesta terça-feira (17) para marcar o 34º aniversário do atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires. O evento ocorreu na Praça da Embaixada de Israel, local onde o ataque terrorista ocorreu em 1992, deixando um saldo trágico de 29 mortos e mais de 200 feridos.
Discurso firme contra o terrorismo e o regime iraniano
Em seu pronunciamento, Milei foi enfático ao criticar o Irã e reiterar seu apoio incondicional aos Estados Unidos e a Israel. "Diante do terrorismo não pode haver trégua", declarou o mandatário, posicionando-se claramente no contexto geopolítico atual. Ele acrescentou que "os Estados Unidos e Israel decidiram pôr fim ao regime iraniano, uma tirania que não só mantém cativa sua própria população, mas que se dedicou a semear o terror durante décadas".
Contexto histórico dos ataques na Argentina
O atentado à embaixada israelense, ocorrido em 17 de março de 1992, foi executado com uma caminhonete carregada de explosivos que destruiu o prédio diplomático. Dois anos depois, em 1994, outro ataque violento atingiu a mutual judaica AMIA, resultando em 85 vítimas fatais. A justiça argentina atribui ambos os crimes ao Irã e ao movimento xiita Hezbollah, aliado de Teerã.
Durante a cerimônia, o embaixador israelense na Argentina, Eyal Sela, também se manifestou, afirmando que o falecido líder supremo iraniano, Ali Khamenei, não poderá mais organizar atos terroristas. O evento contou com cerca de cem participantes, que enfrentaram uma chuva torrencial para homenagear as vítimas. No palco, foi projetada uma imagem das ruínas da antiga embaixada, criando um cenário emocionante e reflexivo.
Compromisso com valores ocidentais e combate ao antissemitismo
Milei aproveitou a ocasião para reafirmar seu compromisso com os valores do Ocidente e a luta contra o antissemitismo. "Israel é um aliado estratégico do nosso país, valores compartilhados nos unem", destacou o presidente, que já se autodenominou "o presidente mais sionista do mundo" em ocasiões anteriores. Ele enfatizou a importância da moral como política de Estado e a necessidade de combater o flagelo do preconceito religioso.
Tensões geopolíticas e medidas de segurança
As declarações de Milei ocorrem em um momento de elevada tensão internacional. Em fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma onda coordenada de ataques ao Irã, que respondeu com bombardeios a vizinhos e bloqueou parcialmente o Estreito de Ormuz, afetando o fluxo global de petróleo. Em reação, o governo argentino elevou seu nível de segurança e incluiu as Forças Quds dos Corpos da Guarda Revolucionária iraniana em sua lista de organizações terroristas.
A justiça argentina continua investigando os atentados, com um julgamento à revelia em andamento contra dez iranianos e libaneses pelo caso AMIA, enquanto o processo sobre o ataque à embaixada permanece aberto. A comunidade judaica na Argentina, estimada em 300 mil pessoas, é a maior da América Latina e segue buscando justiça pelas tragédias.



