Presidente argentino canta Elvis em evento internacional enquanto país enfrenta greve geral
Em um contraste marcante entre a realidade doméstica e a agenda internacional, o presidente argentino Javier Milei foi flagrado em um momento de descontração durante sua participação nos Estados Unidos. Enquanto a Argentina enfrentava uma greve geral de grandes proporções nesta quinta-feira (19), o mandatário apareceu em vídeo cantando "Burning Love", sucesso de Elvis Presley, ao lado de figuras como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Evento nos EUA contrasta com tensão na Argentina
A cena descontraída ocorreu durante a primeira reunião do Conselho da Paz criado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Com a música tocando no sistema de som do evento, Milei pegou o microfone para imitar Elvis, abraçado a Orbán, enquanto Infantino fazia gestos de aprovação. O momento de aparente leveza acontece em um contexto de fortes tensões políticas no país sul-americano.
Paralelamente ao evento internacional, a Câmara dos Deputados da Argentina iniciava a discussão do polêmico projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo Milei ao Congresso. O Senado já havia aprovado o texto na semana anterior, gerando intensa mobilização dos setores sindicais.
Greve geral atinge níveis históricos de participação
A maior central sindical argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), convocou a paralisação que, segundo seus líderes, alcançou "níveis de participação nunca antes vistos" sob o atual governo. Jorge Sola, um dos dirigentes da CGT, comemorou o que classificou como apoio "impressionante e muito significativo" à greve.
Em resposta à paralisação, o governo argentino adotou medidas incomuns, determinando que a imprensa seguisse protocolos de segurança específicos durante a cobertura dos protestos. O Ministério da Segurança emitiu comunicado recomendando que jornalistas "evitem posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança".
Contexto de protestos e agenda internacional
Os protestos contra a reforma trabalhista já haviam levado milhares de pessoas às ruas na semana anterior, quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e resultaram em aproximadamente 30 detenções.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, Milei não apenas participou do evento com Trump, como também foi elogiado publicamente pelo ex-presidente norte-americano em seu discurso. Além disso, conforme informações da agência de notícias AFP, o presidente argentino ofereceu tropas argentinas para atuarem na Faixa de Gaza, auxiliando no processo de paz caso necessário.
A expectativa do governo argentino é que a proposta de reforma trabalhista seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, data em que Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo. O contraste entre a agenda internacional descontraída do presidente e a tensão doméstica marca um momento crucial na política argentina.



