Guerra no Irã já provoca a maior crise energética da história, segundo agência internacional
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, declarou nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, que a guerra desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro, já causa a pior crise energética enfrentada pelo mundo em toda a história. Em entrevista à rádio France Inter, Birol reforçou que a situação vai muito além do petróleo e do gás, afetando uma ampla gama de produtos essenciais para a economia global.
Impactos amplos e sem precedentes na economia mundial
"Se combinarmos esta crise do petróleo com a crise do gás envolvendo a Rússia, já é uma crise enorme, mas não se trata apenas de petróleo e gás; também de fertilizantes, produtos petroquímicos, enxofre", explicou o diretor da AIE. "Todos esses produtos estarão em falta, impulsionando a inflação mundial, particularmente em países emergentes e em desenvolvimento, e isso desacelerará o crescimento".
No início do mês, Birol já havia classificado a atual crise global de petróleo e gás como "mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas", destacando a magnitude sem precedentes da perturbação no fornecimento global de energia. Essa interrupção provoca impactos amplos na inflação, nos preços dos combustíveis e nas economias em todo o mundo, com efeitos especialmente devastadores para nações que dependem de importações energéticas.
Países em desenvolvimento são os mais vulneráveis
Nações com alta dependência de importações energéticas, especialmente na Europa, Ásia e regiões em desenvolvimento, enfrentam uma combinação perigosa de preços mais altos de combustível, encarecimento do transporte e aumento dos custos industriais. Birol alertou que os países em desenvolvimento estão entre os mais vulneráveis, pois não possuem reservas ou mecanismos de amortecimento tão robustos quanto as economias avançadas.
Em março, a AIE concordou em liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas para combater a alta dos preços do petróleo causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã. No entanto, essa medida pode não ser suficiente para conter os efeitos de longo prazo da crise, que já se estende por quase dois meses.
Incerteza política agrava a situação
A incerteza em torno da guerra continua a pesar sobre o cenário energético global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta terça-feira, 21, que não pretende estender o cessar-fogo com o Irã, na véspera do acordo expirar. A possibilidade de uma segunda rodada de negociações ainda é incerta, o que mantém o mercado em alerta máximo.
Nesta terça, a TV estatal iraniana informou que nenhuma delegação — "nem primária nem secundária, nem inicial nem de acompanhamento" — havia partido para Islamabad, a capital paquistanesa, que sediou a primeira rodada de negociações. No entanto, de acordo com a agência de notícias The Associated Press, mediadores do Paquistão receberam a confirmação de que os líderes de ambas equipes diplomáticas, o vice-presidente americano, J.D. Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, chegarão a Islamabad na manhã de quarta-feira.
A crise energética atual não é apenas um problema de abastecimento, mas uma ameaça real ao crescimento econômico global, com consequências que podem se estender por anos. A comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos do conflito, enquanto os preços da energia continuam a subir, pressionando ainda mais as economias já fragilizadas pela pandemia e por crises anteriores.



