Condenação de magnata pró-democracia em Hong Kong gera críticas internacionais
Magnata de Hong Kong condenado a 20 anos gera críticas internacionais

A condenação de Jimmy Lai, magnata da mídia pró-democracia em Hong Kong, a 20 anos de prisão gerou uma onda de críticas internacionais nesta segunda-feira (9). Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Canadá expressaram profunda preocupação com o desfecho do caso, classificando-o como injusto e politicamente motivado.

Reações internacionais à sentença

Marco Rubio, secretário de Estado do governo Donald Trump, emitiu um comunicado contundente sobre a decisão judicial. "A decisão do Tribunal Superior de Hong Kong de condenar Jimmy Lai a 20 anos é um desfecho injusto e trágico para este caso", afirmou Rubio. O diplomata norte-americano acrescentou que "isso demonstra ao mundo que Pequim está disposta a ir a extremos para silenciar aqueles que defendem as liberdades fundamentais", pedindo ainda que Lai seja colocado em "liberdade condicional humanitária".

Posicionamento da União Europeia

A União Europeia também se manifestou oficialmente, caracterizando a condenação como uma perseguição politicamente motivada. Em comunicado do departamento de política externa da UE, a instituição afirmou que a sentença prejudica significativamente a reputação de Hong Kong como centro financeiro internacional. "A UE pede às autoridades de Hong Kong que restaurem a confiança na liberdade de imprensa em Hong Kong, um dos pilares de seu sucesso histórico, e que parem de processar jornalistas", destacou o texto.

Canadá e Reino Unido se pronunciam

Do outro lado do Atlântico, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, expressou decepção com a condenação e reforçou o apelo por libertação imediata por razões humanitárias. Já a chanceler britânica Yvette Cooper foi ainda mais enfática, afirmando que a sentença de 20 anos equivale efetivamente a uma pena de prisão perpétua para o magnata de 78 anos.

Cooper utilizou a rede social X para fazer seu apelo público: "As autoridades de Hong Kong devem encerrar a terrível provação de Jimmy Lai e libertá-lo para que possa estar com sua família", escreveu a política britânica.

O caso de Jimmy Lai

Jimmy Lai enfrentou o mais longo julgamento já registrado sob a Lei de Segurança Nacional, legislação imposta pela China em 2020 que tem sido alvo de controvérsia internacional. O empresário foi sentenciado com base em duas acusações principais:

  • Sedition (sedição)
  • Conluio com forças estrangeiras

Este último crime prevê prisão perpétua como pena máxima no sistema jurídico de Hong Kong. Lai é fundador e proprietário do jornal pró-democracia Apple Daily, publicação que encerrou suas atividades em 2021 após intensa pressão das autoridades locais.

Apelo familiar e cidadania britânica

O filho de Jimmy Lai, Sebastien Lai, fez um apelo emocionado ao governo trabalhista do primeiro-ministro Keir Starmer. Em entrevista à agência Reuters em Londres, o também cidadão britânico pediu que o governo britânico faça "muito mais" para garantir a libertação de seu pai idoso.

"Muito mais precisa ser feito e rapidamente porque, se não, ele vai morrer na prisão", alertou Sebastien Lai. Ele criticou especificamente os esforços de Starmer para restabelecer relações com Pequim, considerando um erro a visita do primeiro-ministro à China no mês passado sem antes exigir a libertação de seu pai.

"Eu gostaria que o primeiro-ministro fizesse mais", insistiu o filho do magnata. "Não estamos pedindo o mundo. Isso não é algo difícil para eles fazerem."

Resposta da China

Em resposta às críticas internacionais, a China defendeu a legalidade do processo. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou que Jimmy Lai "merecia ser severamente punido de acordo com a lei". O representante diplomático reforçou que os órgãos judiciais de Hong Kong cumpriram rigorosamente suas funções dentro do marco legal estabelecido.

Este caso representa mais um capítulo nas tensões entre Hong Kong e a comunidade internacional sobre questões de liberdades fundamentais, especialmente após a implementação da Lei de Segurança Nacional em 2020. A condenação de Jimmy Lai reacende debates sobre o estado da liberdade de imprensa e expressão no território semiautônomo.