Macron detona acordo com Mercosul e defende foco no mercado da UE para desafiar dólar
O presidente da França, Emmanuel Macron, lançou duras críticas ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como um "mau negócio" e "injusto". Em entrevista concedida a vários jornais europeus, o líder francês defendeu uma mudança de estratégia, com foco no fortalecimento do mercado interno europeu e maior endividamento para investir em setores estratégicos, visando desafiar a hegemonia do dólar americano.
Críticas ao acordo e defesa da autonomia europeia
Macron afirmou que o acordo com o Mercosul, aprovado em janeiro mas levado à Justiça europeia logo em seguida, era "ruim, antigo e mal negociado". Ele destacou a importância de diversificar parceiros comerciais diante das "ameaças e intimidações" dos Estados Unidos, mas enfatizou a necessidade de priorizar o aprofundamento do mercado da União Europeia.
"Eu defendo acordos justos e, portanto, acordos que tenham salvaguardas e que respeitem o clima ao mesmo tempo em que se alcança o que queremos para a economia", declarou o presidente francês.
Foco no mercado interno e endividamento estratégico
O líder europeu argumentou que a União Europeia está pouco endividada em comparação com os Estados Unidos e a China, e que não aproveitar essa capacidade é um erro grave em um momento de corrida por investimentos tecnológicos. Ele defendeu a criação de um mecanismo de empréstimo conjunto, como os eurobônus, para permitir investimentos em grande escala.
Macron pediu a proteção da indústria europeia sem cair no protecionismo, por meio de uma "preferência europeia" em setores estratégicos:
- Tecnologias limpas
- Química
- Aço
- Automóveis
- Defesa
"Em caso contrário, os europeus serão varridos", advertiu.
Contexto político e próximos passos
As declarações de Macron ocorrem pouco antes da reunião dos chefes de Estado e de governo europeus, marcada para quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, em Bruxelas. O encontro terá como tema central a competitividade do bloco europeu no cenário global.
O presidente francês também criticou a postura dos Estados Unidos, afirmando que não é possível chegar a um acordo enquanto há ameaças "todos os dias, todas as semanas". Ele defendeu que a Europa não deve se dobrar diante de agressões manifestas, pois isso aumentaria sua dependência estratégica.
Esta posição reforça a busca por autonomia europeia em um contexto de tensões comerciais globais e competição econômica com grandes potências como Estados Unidos e China.