Ministro iraniano desmente rumores e afirma que líder supremo tem 'excelente saúde'
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, concedeu entrevista exclusiva ao jornal Al-Araby Al-Jadeed nesta semana para esclarecer a situação do líder supremo do país. Em declarações contundentes, Araghchi afirmou que o aiatolá Mojtaba Khamenei está com "excelente saúde" e mantém o controle total do governo iraniano, mesmo em meio ao conflito armado que assola a região.
Desmentindo especulações sobre ferimentos
O chanceler iraniano foi enfático ao negar os rumores que circulavam internacionalmente sobre possíveis ferimentos sofridos pelo líder supremo. "Ele está com excelente saúde, está no controle e presente em seu posto", declarou Araghchi durante a entrevista. O ministro ainda acrescentou que "o momento de mensagens em vídeo ou de aparecer diretamente ao povo é uma decisão dele", referindo-se às escolhas estratégicas de Khamenei sobre sua exposição pública.
Neste sábado (14), o mesmo ministro já havia se pronunciado anteriormente para negar veementemente que Mojtaba Khamenei estivesse "desfigurado", como alegavam algumas fontes internacionais. As declarações ocorreram durante entrevista ao canal de notícias norte-americano MS Now, onde Araghchi também abordou outros aspectos sensíveis da política externa iraniana.
Admissão de ajuda militar e lógica de guerra
Durante as entrevistas, o ministro iraniano fez uma revelação significativa ao admitir que o Irã tem recebido ajuda militar da China e da Rússia. Esta confirmação oficial vem em um momento de crescente tensão internacional e escalada do conflito na região.
Araghchi também procurou afastar quaisquer dúvidas sobre a estabilidade do regime iraniano, explicando que "o país está em guerra e deve ser administrado com a lógica de um tempo de guerra". O ministro completou sua defesa da estabilidade governamental afirmando que "não apenas a liderança, mas todas as instituições do Estado estão totalmente estáveis em seus lugares, e tudo está sob controle".
Contexto da nomeação e ausência pública
Mojtaba Khamenei foi nomeado oficialmente como líder supremo do Irã no último dia 8 de março, substituindo seu pai, Ali Khamenei, que foi morto em um ataque coordenado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de abril. Desde sua nomeação, especulações sobre sua saúde cresceram devido à sua ausência em aparições públicas.
Autoridades iranianas afirmam que o novo líder sofreu ferimentos durante o primeiro ataque dos EUA e Israel ao país, enquanto o governo norte-americano chegou a declarar que Mojtaba estaria "desfigurado" com diversas fraturas. Teerã, por sua vez, justifica a invisibilidade pública do líder como uma medida de segurança necessária para evitar rastreamento inimigo, especialmente após ameaças explícitas dos EUA e Israel contra o novo escolhido.
Primeira mensagem e estrutura de poder
A primeira comunicação oficial do novo líder supremo à nação ocorreu no dia 12 de março, quando uma mensagem foi publicada nas redes sociais e lida pela televisão estatal iraniana. No texto, Khamenei lamentou a morte de seu pai e antecessor, pediu que países vizinhos fechassem bases americanas em seus territórios e anunciou que o Estreito de Hormuz continuaria fechado - medida que tem gerado crises significativas no mercado global de petróleo.
O aiatolá revelou que soube de sua própria eleição com surpresa, escrevendo: "Seu servo, Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei, soube do resultado da votação da Assembleia de Peritos ao mesmo tempo que você, através da televisão da República Islâmica".
Perfil do novo líder e sistema político
Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei e é descrito como uma figura reclusa e de linha dura dentro do establishment iraniano. Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, ele estudou teologia e passou grande parte de sua vida ligado ao centro de poder da República Islâmica, sem ocupar cargos estatais formais, mas exercendo influência significativa nos bastidores do regime.
A escolha do sucessor foi realizada pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos, em um processo que não envolve eleição popular. No sistema político iraniano, o líder supremo concentra poderes religiosos e estatais, ficando acima do presidente e do Parlamento na tomada de decisões estratégicas desde a Revolução de 1979.
Entre as atribuições exclusivas do líder supremo estão:
- Comando das Forças Armadas
- Declaração de guerra ou paz
- Definição da política externa
- Nomeação de chefes do Judiciário e da mídia estatal
O presidente Masoud Pezeshkian, eleito por voto popular, cuida da administração diária do país, incluindo economia e políticas públicas, mas atua sob supervisão direta do líder supremo em áreas críticas como defesa e diplomacia.
Reações internas e análise política
A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) parabenizou Khamenei pela nomeação, descrevendo o momento como "um novo amanhecer e uma nova fase para a revolução e para o governo da República Islâmica". Analistas políticos apontam que o novo líder supremo mantém relações profundas com a IRGC e com grupos de segurança ligados ao regime, o que fortalece sua posição dentro da complexa estrutura de poder iraniana.
Enquanto isso, os Estados Unidos oferecem uma recompensa de aproximadamente R$ 52 milhões por informações sobre o líder supremo do Irã, demonstrando a continuidade das tensões entre os dois países mesmo após a mudança na liderança iraniana.
