Kim Jong-un demite vice-premiê por incompetência e o compara a 'cabra puxando carroça de bois'
Kim Jong-un demite vice-premiê por incompetência

Kim Jong-un demite vice-premiê por incompetência em projeto de modernização

O presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, demitiu o seu vice-primeiro-ministro, Yang Sung-ho, e o comparou a "uma cabra puxando uma carroça de bois", conforme informou a agência de notícias estatal KCNA nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026. A decisão ocorre em um momento crucial, pouco antes do congresso do Partido dos Trabalhadores, o primeiro em cinco anos, considerado um dos principais eventos de propaganda do regime.

Críticas e justificativas do líder norte-coreano

Kim Jong-un culpava Yang Sung-ho por causar "confusão desnecessária" nas obras de modernização do Complexo de Máquinas de Ryongsong, um dos principais centros de produção de máquinas fora da capital, Pyongyang. Em um discurso durante uma inspeção ao projeto na segunda-feira, o líder afirmou que o plano sofreu "um prejuízo econômico considerável" devido à incompetência de funcionários, criticando especificamente Yang pela falta de responsabilidade.

"Para usar uma linguagem mais simples e figurativa, ele era como uma cabra puxando uma carroça de bois. Devemos encarar isso como um erro incidental em nosso processo de nomeação de pessoal", justificou Kim, questionando: "Poderíamos esperar que uma cabra puxasse uma carroça para um boi?"

Contexto político e econômico da demissão

A demissão acontece em um período de intensa atividade política na Coreia do Norte. Nas últimas semanas, Kim Jong-un realizou uma série de visitas a fábricas e supervisionou testes de armas, preparando o terreno para o congresso do partido, que deve ocorrer entre janeiro e fevereiro. Especialistas internacionais, no entanto, interpretam a medida como uma tentativa de transferir a culpa pelos problemas econômicos do país.

Moon Seong-mook, especialista do Instituto Coreano de Pesquisa para Estratégia Nacional, com sede em Seul, afirmou ao jornal britânico The Guardian que os problemas no projeto refletem entraves enfrentados pela Coreia do Norte como um todo. "Kim Jong-un apostou tudo nos programas nucleares e de mísseis, mas administrou mal a economia. Ele está simplesmente transferindo a culpa de seus erros para um subordinado", disse Moon.

Desafios econômicos e sanções internacionais

A Coreia do Norte, alvo de sanções internacionais rigorosas, lida com recursos escassos que tendem a ser destinados prioritariamente a programas de armamento. Após graves problemas financeiros durante a pandemia de Covid-19, incluindo relatos de fome aguda, o banco central da Coreia do Sul informou que a economia norte-coreana cresceu 3,7% em 2024.

Contudo, analistas não acreditam que um crescimento rápido e prolongado seja viável, devido ao foco do regime de Kim no armamento, à centralização da economia e aos obstáculos impostos pelas sanções. A demissão de Yang Sung-ho, portanto, pode ser vista como um movimento político para desviar a atenção das dificuldades estruturais que assolam o país.

Este episódio ilustra as tensões internas na Coreia do Norte, onde a busca por modernização industrial colide com as prioridades militares e as limitações econômicas, criando um cenário de instabilidade que afeta diretamente a liderança e seus subordinados.