Juiz suspende política de Trump que permite deportação de imigrantes para países terceiros
Juiz suspende política de Trump sobre deportação para países terceiros

Juiz federal suspende política de deportação de imigrantes para países terceiros nos EUA

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou a suspensão de uma política do governo do presidente Donald Trump que autorizava a deportação de imigrantes em situação irregular para "países terceiros", ou seja, nações com as quais eles não possuem qualquer vínculo. A decisão, proferida na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, estabeleceu um prazo de 15 dias para que o governo apresente recurso contra a medida.

Decisão considera diretrizes do DHS ilegais

A decisão, concedida pelo juiz Brian E. Murphy, da Corte Distrital de Boston, considerou ilegais as diretrizes impostas em março pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). Essas diretrizes permitiam a expulsão de migrantes para outros países sem que eles tivessem a oportunidade de questionar a decisão, desde que houvesse garantias diplomáticas de que não sofreriam perseguição ou tortura.

Segundo o magistrado, as deportações violam o princípio constitucional do devido processo legal, que garante a qualquer pessoa o direito a uma defesa adequada antes de sofrer sanções do Estado. Murphy destacou ainda que o governo teria descumprido ou tentado descumprir determinações judiciais anteriores, reforçando a importância do respeito às leis estabelecidas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Fundamento constitucional da decisão

Em sua argumentação, o juiz Murphy afirmou: "Estas são as nossas leis, e é com profunda gratidão pela incrível sorte de nascer nos Estados Unidos da América que este Tribunal afirma o princípio fundamental da nossa nação: que nenhuma 'pessoa' neste país pode ser 'privada de vida, liberdade ou propriedade, sem o devido processo legal'". Essa declaração sublinha o compromisso com os direitos fundamentais garantidos pela Constituição americana.

Contexto histórico e disputas judiciais anteriores

A política de deportações para países terceiros já havia sido alvo de disputas judiciais no país. Em junho do ano passado, a maioria conservadora da Suprema Corte americana autorizou temporariamente esse tipo de expulsão de imigrantes, revertendo uma decisão anterior do próprio juiz Murphy. Na época, o governo Trump argumentou que a política era necessária para expulsar estrangeiros que cometem crimes, visto que seus países de origem muitas vezes não estão dispostos a aceitá-los de volta.

Essa nova decisão representa uma reversão temporária da medida, colocando em evidência as complexidades e os conflitos legais envolvendo a imigração nos Estados Unidos. A suspensão da política pode ter implicações significativas para milhares de imigrantes em situação irregular, que agora têm garantido o direito de contestar suas deportações perante a justiça.

O caso continua a ser monitorado de perto por defensores dos direitos humanos e especialistas em imigração, que veem na decisão um reforço às proteções legais para indivíduos vulneráveis. A expectativa é que o governo Trump recorra da suspensão dentro do prazo estabelecido, mantendo a disputa judicial em andamento e destacando os desafios contínuos na aplicação das leis de imigração.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar