O Japão deu um passo significativo em sua política energética ao reativar, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a maior usina nuclear do mundo. A central de Kashiwazaki-Kariwa, localizada na região de Niigata, retomou suas operações após uma tentativa anterior ter sido suspensa devido a uma pequena falha técnica.
Falha em alarme forçou paralisação inicial
Um problema em um alarme detectado no mês passado forçou a paralisação da primeira tentativa de reativação desde o desastre na central de Fukushima, ocorrido em 2011. A Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora responsável pela usina, anunciou que a retomada das atividades ocorreu às 14h00 no horário local, o que corresponde às 2h00 de Brasília.
Reforços de segurança implementados
A instalação, que permanecia inativa desde o acidente de 2011, passou por uma série de melhorias para garantir sua reabertura. Entre as medidas adotadas, destacam-se:
- Construção de um muro de 15 metros de altura para proteção contra tsunamis.
- Instalação de novos sistemas elétricos de emergência.
- Adoção de outros dispositivos de segurança avançados.
Oposição pública e aprovação governamental
O governador da província de Niigata aprovou a reativação no mês passado, mesmo diante de uma opinião pública majoritariamente contrária. Uma pesquisa realizada em setembro pelo próprio governo local revelou que 60% dos moradores da região se opuseram à retomada das atividades nucleares, enquanto apenas 37% apoiaram a iniciativa.
Contexto histórico e críticas
Desde 2015, o Japão já religou 15 dos seus 33 reatores nucleares. A usina de Kashiwazaki-Kariwa é a primeira pertencente à Tepco a ser reativada. Críticos argumentam que a empresa pode não estar totalmente preparada para a reabertura, lembrando que, na época do desastre de Fukushima, a Tepco foi acusada pelo governo japonês de ser responsável pelo acidente nuclear.
Embora um tribunal tenha absolvido três executivos da empresa, o medo gerado pelo incidente continua a alimentar a rejeição da população à energia nuclear.
Mudanças no plano energético japonês
Antes de 2011, quase 30% da eletricidade do Japão era proveniente da energia nuclear, com planos de aumentar essa participação para 50% até 2030. No entanto, após o desastre, o plano energético sofreu revisões. Uma meta mais modesta foi estabelecida no ano passado: o país agora pretende que a energia nuclear supra 20% das necessidades elétricas até 2040.
Impacto do desastre de Fukushima
Altamente dependente da importação de energia, o Japão foi um dos pioneiros no uso da radioatividade como alternativa aos combustíveis fósseis. O terremoto mais forte já registrado no país, em 2011, provocou o derretimento do núcleo em Fukushima, levando ao desligamento de todos os 54 reatores japoneses na época.
O acidente causou vazamento radioativo e forçou a evacuação das comunidades locais. Muitas pessoas nunca retornaram à região, apesar das garantias oficiais de que era seguro voltar.
A reativação da usina de Kashiwazaki-Kariwa marca um momento crucial na busca do Japão por estabilidade energética, equilibrando necessidades econômicas com preocupações de segurança e opinião pública.