Israel e Estados Unidos manifestam descontentamento com sucessão no Irã
O Ministério das Relações Exteriores de Israel emitiu um pronunciamento contundente nesta segunda-feira (9) sobre a designação de Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do Irã. Através de suas redes sociais, a pasta israelense compartilhou uma imagem impactante que mostra o aiatolá Mojtaba Khamenei e seu pai, Ali Khamenei, segurando armas, acompanhada da legenda "A maçã não cai longe do pé".
Críticas diretas e simbolismo político
O ditado popular, equivalente ao conhecido "filho de peixe, peixinho é", faz referência direta à escolha do filho do aiatolá falecido para assumir o cargo máximo do regime iraniano. No mesmo post, o governo israelense foi ainda mais explícito: "As mãos de Mojtaba Khamenei já estão manchadas com o sangue que definiu o governo de seu pai. Outro tirano para continuar a brutalidade do regime iraniano", afirmou a publicação oficial.
Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal americano New York Post na qual expressou claramente sua insatisfação com a sucessão. Questionado sobre possíveis planos de envio de tropas americanas ao Irã para proteger instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio, Trump admitiu que "falta consenso dentro de seu governo" sobre qual atitude tomar, mas garantiu que uma missão terrestre não deve ocorrer em um futuro próximo.
Trump estabelece condições para reconhecimento
O mandatário americano foi enfático ao declarar que o próximo líder supremo do Irã "vai ter que obter nossa aprovação". Em declarações ao canal ABC News no domingo (8), antes mesmo da confirmação oficial de Mojtaba Khamenei, Trump alertou: "Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito".
Quando questionado especificamente sobre Mojtaba Khamenei - filho do aiatolá morto durante os primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel a Teerã -, que foi validado como substituto de seu pai, Trump evitou comentários diretos, mas deixou claro: "Não vou dizer a vocês, mas não estou satisfeito com ele".
Antecedentes da posição americana
Já na quinta-feira (5), o presidente norte-americano havia manifestado sua intenção de participar diretamente do processo de escolha do novo líder iraniano, classificando a hipótese de Mojtaba Khamenei assumir o posto como "inaceitável". Em declarações à imprensa, Trump afirmou: "O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto".
Resposta iraniana e defesa da soberania
Em resposta às declarações americanas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, concedeu entrevista a uma televisão americana na qual reafirmou a soberania iraniana sobre o processo sucessório. O chanceler deixou claro que cabe exclusivamente ao povo iraniano, e não ao presidente dos Estados Unidos, escolher o novo líder do país.
Araghchi foi além e exigiu um pedido de desculpas formal de Donald Trump, acusando-o de ter iniciado a guerra no Oriente Médio: "Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder. Trump deveria pedir desculpas ao povo da região e ao purso iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram", declarou o ministro iraniano.
A tensão internacional em torno da sucessão no Irã continua a se intensificar, com posições diametralmente opostas entre as potências ocidentais e o regime de Teerã, indicando que o processo de transição de poder poderá gerar novos capítulos de conflito diplomático na região.



