Israel coordenou segurança em apartamento de Epstein usado por ex-premiê Ehud Barak
Israel coordenou segurança em imóvel de Epstein usado por Barak

Israel coordenou segurança em apartamento de Epstein usado por ex-premiê Ehud Barak

O governo de Israel coordenou diretamente a instalação de equipamentos de segurança e o controle de acesso em um apartamento em Manhattan administrado por Jeffrey Epstein e utilizado com frequência pelo ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak. As informações são parte de uma investigação publicada pelo site de jornalismo investigativo Drop Site News, baseada em e-mails divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Interlocução diplomática para adaptação do imóvel

Segundo a reportagem, a missão permanente de Israel na Organização das Nações Unidas manteve interlocução direta com funcionários de Epstein a partir de 2016 para viabilizar a instalação de sistemas de alarme, sensores e mecanismos de vigilância em um imóvel localizado na East 66th Street, em Nova York. Embora o apartamento estivesse formalmente registrado em nome de uma empresa ligada a Mark Epstein, irmão do financista, ele seria, na prática, controlado pelo empresário, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Barak, que governou Israel entre 1999 e 2001, usufrui de segurança custeada pelo Estado, benefício previsto na legislação israelense para ex-primeiros-ministros. Os documentos indicam que integrantes da representação diplomática israelense participaram ativamente das tratativas para adaptar o imóvel às exigências do esquema de proteção.

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Supervisão direta e autorização de Epstein

O então diretor de segurança da missão israelense na ONU, Rafi Shlomo, responsável pela equipe encarregada da proteção de Barak, teria supervisionado o acesso ao apartamento, realizado verificações de antecedentes de funcionários e acompanhado a instalação de equipamentos de monitoramento. As modificações estruturais dependiam de autorização de Epstein.

Em uma troca de e-mails de janeiro de 2016, Nili Priell, esposa de Barak, discutiu com a assistente de longa data de Epstein, Lesley Groff, detalhes do sistema de segurança, que incluía sensores nas janelas e possibilidade de controle remoto. Posteriormente, Groff informou que Epstein havia autorizado as intervenções físicas no imóvel. As mensagens mostram que o contato entre representantes israelenses e a equipe do financista prosseguiu ao longo de 2016 e 2017 para organizar acessos e estadias do ex-premiê.

Repercussão política e questionamentos internacionais

A relação entre Barak e Epstein voltou ao centro do debate público após a morte do financista em uma prisão de Nova York, em 2019. À época, Barak buscou minimizar os vínculos, afirmando que, embora tenha mantido encontros e relações comerciais com Epstein ao longo de cerca de 15 anos, não recebeu apoio financeiro do empresário.

O episódio também repercutiu na política israelense. O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, citou os documentos recém-divulgados para sustentar que as ligações comprometem Barak, e não o Estado de Israel. Os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça, no entanto, sugerem que a interlocução envolveu funcionários da missão diplomática israelense.

A divulgação de milhões de páginas relacionadas às investigações criminais contra Epstein reacendeu questionamentos sobre suas conexões internacionais. Além de vínculos com empresários e autoridades de diversos países, documentos mencionam doações a organizações israelenses e supostos contatos com a agência de inteligência externa do país, o Mossad.

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