Irã ironiza Trump: 'Negocia consigo mesmo' e rejeita acordo com EUA 'nem agora, nem nunca'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está "negociando consigo mesmo", afirmou um porta-voz militar do Irã nesta quarta-feira, 25 de março de 2026. A declaração ocorre após Washington enviar a Teerã um plano de 15 pontos com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos EUA e Israel ao território iraniano em 28 de fevereiro.
Negociações negadas e acusações de 'fake news'
Nos últimos dias, o Irã tem negado repetidamente qualquer negociação com o governo americano. "O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você estar negociando consigo mesmo?", ironizou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando unificado das forças armadas, o Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya. "Pessoas como nós nunca conseguirão se dar bem com pessoas como você."
"Como sempre dissemos, nenhum de nós fará um acordo com vocês. Nem agora. Nem nunca", acrescentou ele, reforçando a posição irredutível do governo iraniano.
Na segunda-feira 23, Trump anunciou uma pausa nos ataques aéreos a usinas e infraestruturas energéticas do Irã após "conversas muito boas e produtivas sobre uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio". A continuidade dependeria do "sucesso das reuniões e discussões em andamento", segundo o republicano.
As tratativas foram categoricamente negadas por Teerã, que acusou o mandatário da Casa Branca de disseminar "fake news" sobre supostos avanços diplomáticos.
O plano de 15 pontos dos Estados Unidos
Duas autoridades paquistanesas, que conversaram com a Associated Press em condição de anonimato, afirmaram que o plano de 15 pontos abrange:
- Alívio das sanções a Teerã
- Cooperação nuclear civil
- Redução do programa nuclear iraniano
- Permissões à fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)
- Limites para o arsenal de mísseis do Irã
- Reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta
Três fontes do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também disseram à Reuters que o governo do país foi informado sobre a proposta. De acordo com as autoridades, o plano incluiria ainda:
- Remoção dos estoques de urânio enriquecido do Irã
- Proibição de mais enriquecimento do material capaz de produzir bombas atômicas
- Restrição de seu programa de mísseis balísticos
- Fim do financiamento para a rede de grupos armados que forma o chamado "eixo da resistência" do Irã no Oriente Médio
Possíveis cenários e mediação internacional
Enquanto isso, uma autoridade iraniana confirmou o recebimento de uma proposta à Reuters e, sem dar detalhes do plano, afirmou que negociações poderiam ser sediadas na Turquia ou no Paquistão, vizinho do Irã que já se ofereceu para abrigar conversas com funcionários americanos já nesta semana.
Um membro do governo turco, Harun Armagan, disse à agência de notícias nesta quarta que seu país "desempenha um papel de intermediário" entre Washington e Teerã, indicando que, apesar das negativas públicas, canais diplomáticos paralelos podem estar ativos.
A situação permanece tensa, com o Irã mantendo sua postura intransigente enquanto os Estados Unidos insistem em avançar com propostas diplomáticas. O conflito no Oriente Médio continua sendo um dos principais focos de instabilidade geopolítica global, com implicações significativas para a segurança internacional e os mercados energéticos mundiais.



