Irã avalia negociações com EUA em Omã como 'bom começo' e sinaliza continuidade
Irã diz que negociações com EUA em Omã foram 'bom começo'

Irã classifica negociações com EUA em Omã como 'bom começo' e prevê continuidade

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que as negociações realizadas com os Estados Unidos em Omã sobre não proliferação nuclear constituíram um "bom começo" e devem prosseguir. A reunião diplomática, mediada por Omã, aconteceu nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, na capital Mascate, marcando o primeiro encontro direto entre os dois países desde uma guerra aérea de 12 dias em junho do ano anterior.

Detalhes do encontro diplomático em Omã

De acordo com informações divulgadas pela mídia iraniana, a cúpula terminou com uma "vontade de continuar", embora não tenha sido especificada uma data para o próximo encontro. O ministro das Relações Exteriores de Omã e mediador do diálogo, Badr al-Busaidi, caracterizou as negociações como "muito sérias", com resultados que precisam ser avaliados cuidadosamente por ambas as nações.

Durante as conversas, Araghchi apresentou a al-Busaidi um "plano preliminar" destinado a "gerenciar a situação atual" entre Irã e Estados Unidos, numa tentativa de avançar nas discussões. Esse plano teria sido posteriormente transmitido à delegação norte-americana.

Posicionamentos e tensões prévias

Minutos antes do início da reunião, o chanceler iraniano deixou claro que Teerã está "disposta a defender a soberania e a segurança nacional do país diante de qualquer exigência excessiva ou aventura" por parte dos Estados Unidos. Ele reforçou que "a República Islâmica utiliza a diplomacia para defender os interesses nacionais".

Por outro lado, a Casa Branca havia afirmado na quinta-feira, 5 de fevereiro, que o presidente Donald Trump prefere resolver as questões por vias diplomáticas, mas possui "muitas outras opções à sua disposição". A porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, destacou que "a diplomacia é sempre a primeira opção quando se trata de lidar com países de todo o mundo, sejam eles nossos aliados ou nossos adversários".

Divergências centrais e ameaças recentes

As negociações ocorrem em um contexto de profundas divergências. Enquanto o Irã sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins puramente energéticos, os Estados Unidos, juntamente com Israel e países europeus, acusam a nação persa de tentar desenvolver uma bomba atômica.

Washington busca incluir na pauta questões como o desenvolvimento de mísseis iranianos, mas Teerã já alertou que não fará concessões em relação ao seu programa de mísseis balísticos — considerado uma das maiores capacidades do Oriente Médio —, tratando-o como uma linha vermelha nas negociações. É com essas armas, inclusive, que o Irã ameaçou retaliar em caso de um ataque norte-americano.

Nas últimas semanas, as tensões na região aumentaram significativamente:

  • Trump despachou uma "enorme armada" ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln.
  • O presidente americano alertou que "coisas ruins" aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado.
  • Na terça-feira, 3 de fevereiro, o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma "agressiva" da embarcação.
  • O Comando Central das Forças Armadas dos EUA acusou navios da Guarda Revolucionária Islâmica de "importunarem" um petroleiro de bandeira norte-americana no Estreito de Ormuz.

Contexto de crise interna e apoio externo

A crise entre Estados Unidos e Irã se intensificou ao longo do ano passado, alimentada pela guerra aérea que envolveu ataques americanos contra instalações nucleares iranianas. A situação ganhou novos contornos com a repressão promovida pelo governo do Irã contra protestos que tomaram o país desde o início do ano.

As manifestações, inicialmente motivadas pela desvalorização da moeda local (rial) e pela crise inflacionária, evoluíram para pedidos de "fim da ditadura" e pela deposição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. No auge dos protestos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes, afirmando que a ajuda estava "a caminho".

Neste cenário, a China emitiu um comunicado em apoio ao Irã "na defesa de sua soberania, segurança, dignidade nacional e direitos e interesses legítimos", condenando o que chamou de "intimidação unilateral".

Perspectivas futuras e preocupações

A liderança iraniana demonstra crescente preocupação com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, potencialmente levando uma população já enfurecida de volta às ruas. Em Omã, a prioridade parece clara: evitar conflitos e reduzir a tensão.

Embora Trump não tenha detalhado publicamente o que busca em um possível acordo, pontos de negociação anteriores de seu governo incluíam:

  1. Proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã.
  2. Restrições a mísseis balísticos de longo alcance.
  3. Fim do apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio.

Teerã já indicou que considera todas as três exigências como violações inaceitáveis de sua soberania, sendo o tema dos mísseis apontado como o maior obstáculo. As negociações em Omã representam, portanto, um passo delicado em direção a um diálogo mais estruturado, num momento em que o risco de escalada militar permanece palpável.