Banco Master usou terrenos de Ronaldinho Gaúcho como garantia em operação sob investigação
Uma investigação do Ministério Público Federal está apurando o uso de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) para direcionar recursos a fundos ligados ao Banco Master, com dois terrenos de propriedade do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho sendo utilizados como garantia na operação. A defesa do atleta afirma que ele não tinha conhecimento da emissão dos créditos, destacando que o negócio imobiliário foi posteriormente cancelado.
Detalhes da operação financeira
Segundo reportagem do jornal O Globo, a operação resultou na captação de R$ 330 milhões pelo Banco Master. Os recursos teriam sido direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira, em vez de serem aplicados em projetos imobiliários legítimos. Em agosto de 2023, a Base Securitizadora estruturou a emissão dos CRIs para a S&J Consultoria, com o lastro vinculado a notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, incluindo áreas pertencentes a Ronaldinho.
Posição da defesa e cancelamento do projeto
Advogados do ex-jogador e de sócios do empreendimento sustentam que o projeto não avançou devido a falta de licenças ambientais e pendências de IPTU desde 2021. Eles afirmam que não houve aporte relevante de recursos nos terrenos, reforçando que Ronaldinho estava alheio à transação. A defesa também menciona que o negócio imobiliário que embasava a operação foi cancelado, invalidando a suposta garantia.
Investigações e envolvimento de outras empresas
O Ministério Público Federal investiga o Banco Master por supostamente utilizar o Fundo City 02 para conceder empréstimos a empresas que, posteriormente, repassavam os valores a fundos administrados pela gestora Reag. Tanto o banco quanto a gestora Reag foram liquidados pelo Banco Central. Relatórios do Banco Central indicam que essa estrutura se repetiu em outras operações sob apuração, com empresas captando recursos no mercado e realocando o dinheiro em fundos do próprio grupo financeiro.
Impacto e volume total sob suspeita
Para os investigadores, a prática teria inflado artificialmente os ativos do banco, criando uma imagem financeira enganosa. O volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora chega a R$ 1 bilhão, ampliando o escopo das investigações. As empresas envolvidas, incluindo a S&J Consultoria, são investigadas pela Polícia Federal, com mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli do STF.
Declaração do controlador das empresas
César Reginato Ligeiro, criador da Base Securitizadora e controlador das empresas Land I e OCC S.A. (sócias da S&J), afirmou à reportagem que suas operações sempre estiveram em conformidade com a legislação. Ele defende a legalidade das transações, mesmo diante das acusações de desvio de recursos e uso indevido de garantias.
O caso continua sob investigação, com autoridades focadas em esclarecer as responsabilidades e possíveis irregularidades no sistema financeiro, envolvendo figuras públicas como Ronaldinho Gaúcho e instituições de crédito.