Irã condena Nobel da Paz Narges Mohammadi a mais de sete anos de prisão
A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi condenada a uma nova pena de sete anos e meio de prisão pelo regime do Irã. A sentença foi anunciada no domingo, 8 de fevereiro de 2026, pelo advogado da ativista, Mostafa Nili, após semanas de isolamento e comunicação interrompida.
Detalhes da condenação e acusações
Mohammadi, que foi detida em dezembro por fazer "comentários provocativos" em uma cerimônia memorial, recebeu novas acusações relacionadas a conspiração e propaganda contra o regime iraniano. Segundo o advogado, ela foi condenada a seis anos de prisão por "congregação e conluio para cometer crimes" e mais um ano e meio por atividades de propaganda.
Além da pena de prisão, a ativista também será exilada por dois anos na cidade de Josf, na província oriental de Khorasan do Sul, e foi proibida de deixar o país. A Fundação Narges afirmou que Mohammadi relatou a sentença em uma breve ligação telefônica com seu advogado, após semanas de isolamento absoluto.
Histórico de perseguição e ativismo
Narges Mohammadi tem um longo histórico de perseguição pelo regime iraniano. Ela já foi presa 13 vezes e condenada em nove ocasiões, incluindo uma sentença anterior de 10 anos e 6 meses de prisão. Sua família relatou que ela foi espancada durante o cárcere e sofreu greves de fome e agressões.
Mohammadi iniciou sua carreira ativista nos anos 1990, enquanto estudava física, defendendo a igualdade e os direitos humanos das mulheres. Após trabalhar como engenheira e colunista de jornais reformistas, ela se envolveu com o Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerã, fundado pela também Nobel da Paz Shirin Ebadi.
Reconhecimento internacional e contexto
O Prêmio Nobel da Paz de 2023 foi concedido a Mohammadi por seu ativismo contra a opressão às mulheres no Irã, reconhecendo também os protestos de 2024 sob o lema "Mulher, Vida, Liberdade". Esses protestos foram desencadeados pela morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que morreu sob custódia da polícia da moralidade.
O advogado de Mohammadi defendeu sua libertação, afirmando que o veredito não é definitivo e pode ser objeto de recurso. Ele também pediu sua libertação temporária sob fiança para tratamento médico, devido a problemas de saúde decorrentes das condições de prisão.
As três décadas de ativismo pacífico de Mohammadi tiveram um preço elevado: sua carreira como engenheira foi encerrada, sua saúde se deteriorou, e ela foi separada de familiares e privada de liberdade. Este caso destaca a contínua repressão a defensores dos direitos humanos no Irã.