Irã anuncia aiatolá Mojtaba Khamenei como novo líder supremo após morte do pai em ataque
O Irã confirmou oficialmente neste domingo, 8 de março de 2026, a eleição do aiatolá Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque israelense no dia 28 de fevereiro. A decisão foi tomada pela Assembleia de Especialistas, conselho de clérigos com autoridade constitucional para escolher quem assume o cargo máximo da nação.
Mojtaba Khamenei, que já era há muito tempo considerado um provável sucessor apesar de nunca ter ocupado cargos governamentais eleitos ou formalmente designados, teve sua escolha confirmada pela televisão estatal iraniana. Com a posse, ele herda o comando da poderosa Guarda Revolucionária paramilitar e assume autoridade central sobre a estratégia de guerra do país.
Contexto de tensão regional e novos ataques
O anúncio ocorre em meio a uma escalada contínua do conflito no Oriente Médio. Neste mesmo domingo, depósitos de petróleo em Teerã ainda ardiam após ataques israelenses durante a noite, que deixaram quatro mortos e danificaram a rede de abastecimento da capital. Ao menos quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos, provocando um grande incêndio e interrupção temporária na distribuição de combustível.
O conflito regional se amplia com o Bahrein acusando o Irã de ter atacado uma usina de dessalinização essencial ao abastecimento de água potável do país, evidenciando como a infraestrutura civil tornou-se alvo direto na guerra. A frustração regional cresce, com o chefe da Liga Árabe condenando publicamente a "política irresponsável" do Irã de atacar países vizinhos.
Declarações de Trump e resposta iraniana
Mais cedo neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o próximo líder supremo do Irã "não vai durar muito" se Teerã não obtiver sua aprovação. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que é o povo iraniano quem deve escolher o novo líder, não Trump, e cobrou um pedido de desculpas pelo início da guerra.
"Foram os americanos que iniciaram esta guerra contra nós, atacando, e estamos nos defendendo. É óbvio que nossos mísseis não podem atingir o território americano", disse Araghchi. "O que podemos fazer, sim, é atacar as bases e instalações americanas ao nosso redor, que infelizmente estão no território de nossos países vizinhos."
Escalada militar desde a morte de Ali Khamenei
A morte do líder supremo Ali Khamenei no dia 28 de fevereiro, após bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em Teerã, desencadeou uma escalada militar significativa no Oriente Médio. O ataque matou também comandantes militares e integrantes de alto escalão do regime, levando a trocas de ataques entre Irã, Israel e forças americanas na região.
Os países do Golfo absorveram centenas de ataques com mísseis e drones desde o início dos combates, e o presidente iraniano prometeu ampliar ainda mais a ofensiva. Além disso, militares israelenses afirmaram que pretendem "perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder", ampliando a pressão sobre a cúpula política do regime iraniano.
