Críticas internacionais à instabilidade de Trump e impacto nas relações comerciais
A entrada em vigor de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, nesta terça-feira, com nível de 10% conforme determinado pela Suprema Corte, gerou reações contundentes da imprensa internacional. O Wall Street Journal, principal jornal econômico norte-americano, destacou em manchete a "confusão interminável das tarifas de Trump", enquanto o Financial Times, de Londres, foi mais direto ao afirmar que "o estado mental de Donald Trump é um risco global".
Contexto legal e político das decisões tarifárias
A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou irregular o aumento tarifário anunciado pelo presidente Trump, que chegou a mencionar 15% no sábado, por não ter aprovação do Congresso. A decisão judicial, por 6 votos a 3, revogou as chamadas tarifas emergenciais, levando o governo a reembolsar bilhões de dólares arrecadados ilegalmente. Em resposta, a Casa Branca recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite imposição de tarifas de até 15% por 150 dias para lidar com déficits na balança de pagamentos.
O Wall Street Journal criticou severamente essa estratégia, taxando a legislação como "uma relíquia de uma era passada" e questionando até que ponto Trump estará limitado por leis comerciais. Em editorial, o jornal afirmou que o presidente "está reagindo à sua derrota não acalmando as águas comerciais, mas sim as agitando ainda mais", o que poderia prejudicar a economia e os republicanos no Congresso.
Repercussão internacional e posicionamento da Ucrânia
Paralelamente, o Financial Times trouxe declarações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que em entrevista exclusiva afirmou que "a guerra na Ucrânia está no começo do fim" e incentivou Trump a "enxergar através dos 'jogos' da Rússia". A capa do jornal, que duvida da sanidade do líder norte-americano, exibia uma grande foto com a legenda: 'Crise causada por ele mesmo': Trump pondera mais uma guerra com o Irã.
Brasil aproveita diversificação e registra recuperação comercial
Enquanto a política comercial norte-americana gera incertezas, o Brasil demonstra resiliência econômica. A balança comercial de janeiro apresentou saldo positivo de US$ 3,516 bilhões, um aumento de mais de US$ 2,1 bilhões em comparação com janeiro de 2025, que registrou US$ 1,395 bilhão.
Fatores que impulsionaram o desempenho brasileiro
Mesmo com as tarifas médias de 26% impostas pelos Estados Unidos no ano passado – que colocaram o Brasil entre os países mais prejudicados –, a diversificação e ampliação de mercados permitiram que o país se beneficiasse da reativação comercial gerada pela redução geral das tarifas americanas. O Bradesco destaca que o saldo comercial em 12 meses alcançou US$ 61,8 bilhões, com projeção anual de US$ 61,3 bilhões.
O banco aponta que a expansão da produção nacional de petróleo contribui para uma perspectiva otimista, embora exista risco caso a China reduza as compras de soja. A balança de serviços registrou déficit de US$ 4 bilhões em janeiro, acumulando US$ 52,3 bilhões negativos em 12 meses.
Impacto da nova legislação e desempenho do balanço de pagamentos
A nova legislação sobre lucros e dividendos de 2026 antecipou remessas ao exterior, gerando déficit de US$ 8,4 bilhões no balanço de pagamentos em conta corrente. Embora superior à mediana esperada pelo mercado (US$ 6,6 bilhões), foi menor que o déficit de US$ 9,809 bilhões de janeiro de 2025.
Em 12 meses, o saldo negativo é de US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,9% do PIB – uma melhora em relação aos 3% de déficit observados ao longo de 2025. A surpresa concentrou-se no balanço de rendas, com déficit de US$ 8,3 bilhões, onde o saldo de lucros e dividendos foi de -US$ 4,7 bilhões, o pior janeiro da série histórica.
Investimentos e aplicações financeiras em destaque
Os ingressos de investimento direto no país (FDI) foram robustos, alcançando US$ 8,2 bilhões em janeiro, acima dos US$ 7 bilhões esperados pelo Bradesco. Em 12 meses, somam US$ 79,1 bilhões, com projeção de US$ 84 bilhões para o ano, compatível com cenário favorável para países emergentes.
As aplicações em renda fixa também surpreenderam positivamente, com US$ 7 bilhões em janeiro, acumulando US$ 33 bilhões em 12 meses – o maior valor desde 2015. Esse desempenho é atribuído ao alto diferencial de juros entre Brasil (15%) e Estados Unidos (3,75%), atraindo capital estrangeiro.