A Dança das Civilizações: 2.600 Anos de História Iraniana e o Declínio dos EUA
História Iraniana e o Declínio dos EUA em 2026

Em um momento em que a história parece acelerar seu ritmo de forma vertiginosa, é crucial fazer uma pausa para observar os eventos com uma visão desprovida de preconceitos. A reflexão sobre o que o escritor Albert Camus chamou de o objetivo de "impedir a civilização de se destruir" nunca foi tão pertinente. A complexa teia geopolítica atual exige que olhemos para o passado milenar para entender o presente e especular sobre o futuro.

O Peso dos Milênios: A Perspectiva Iraniana

Os acontecimentos no Irã não podem ser compreendidos sem considerar sua história de dois milênios e meio. Um marco recente, a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi em 16 de janeiro de 1979, revelou temores profundos. Naquele dia, conforme registrado pela antropóloga americana Karen Pliskin, membros de minorias religiosas – incluindo cristãos, judeus e zoroastrianos – temiam perder as proteções da monarquia sob um novo regime islâmico.

Uma mulher judia iraniana resumiu a angústia com uma frase poderosa: "Hoje, 2.600 anos de história se acabam". Desde então, a população judaica no país, que tem raízes em eventos bíblicos como o decreto de Ciro que permitiu a reconstrução do Templo de Jerusalém, reduziu-se a cerca de 9.000 pessoas. Este episódio é um microcosmo da eterna dança das civilizações, com seus ciclos inevitáveis de ascensão e queda.

O Declínio Americano e a Sombra de Trump

Enquanto o Irã invoca uma herança milenar, muitos intelectuais contemporâneos debatem uma teoria em voga: a de que os Estados Unidos estão em uma fase inevitável de declínio. Para esses analistas, a figura de Donald Trump personificaria essa derrocada. O debate ganha contornos paradoxais quando se considera que essa avaliação surge após operações militares de alta precisão, como a que removeu Nicolás Maduro do poder, demonstrando uma capacidade bélica ainda inigualável.

A questão que se coloca é sobre a permanência no longo prazo. Os líderes iranianos se apresentam como herdeiros da antiga e orgulhosa civilização persa, agora convertida ao Islã. Em contraste, figuras ocidentais como Winston Churchill expressaram, em seu tempo, um desprezo aberto pelos efeitos da religião muçulmana, em declarações que hoje seriam consideradas politicamente inaceitáveis.

Uma Corrida Contra o Tempo Civilizacional

Isso levanta um questionamento profundo: Qual civilização, dentro de 1.000 anos, terá sobrevivido: a persa ou a britânica? E, mais intrigante ainda, onde estarão os americanos, que em julho de 2026 celebrarão seus modestos 250 anos de independência, um piscar de olhos na escala da história humana?

O artigo publicado originalmente na edição nº 2978 da revista VEJA, em 16 de janeiro de 2026, provoca uma reflexão sobre o poder e a narrativa. Ele cita um antigo provérbio: "primeiro, os deuses atendem aos pedidos daqueles que querem enlouquecer". Será que os deuses da história estariam, então, atendendo aos pedidos de Trump? Ou o poder militar convencional, simbolizado por uma força de elite como a Força Delta, ainda será o fator decisivo na ordem global por um bom tempo?

O texto finaliza com uma crítica mordaz aos escritores que, em vez de salvar a civilização como propunha Camus, torcem pelos vilões da história. Em um mundo em aceleração constante, onde a história dança ao ritmo de choques e transformações, a busca por uma visão clara e desinteressada parece ser o maior desafio – e a maior necessidade – de nosso tempo.