Hillary Clinton nega qualquer relação com Jeffrey Epstein em depoimento na Comissão da Câmara
A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, negou categoricamente qualquer relação com o financista Jeffrey Epstein durante seu depoimento na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026. Em declaração inicial, a ex-candidata presidencial afirmou que "nunca voou no avião dele nem visitou sua ilha, casas ou escritórios" e disse não se recordar de ter encontrado pessoalmente o empresário, condenado por crimes sexuais.
Acusações de partidarismo e pedido de transparência
Hillary Clinton classificou Epstein como um "indivíduo hediondo", mas argumentou que a comissão tem agido de forma partidária e pouco transparente. Segundo ela, o foco deveria ser avaliar as falhas institucionais que permitiram que Epstein firmasse, em 2008, um acordo judicial considerado brando na Flórida e escapasse de punições mais severas por anos.
"Se a comissão é séria, deveria perguntar diretamente ao atual presidente sobre as dezenas de milhares de menções a seu nome nos arquivos", afirmou Clinton, referindo-se ao presidente Donald Trump. A declaração ecoa críticas de democratas que pressionam por maior transparência nas investigações sobre o caso Epstein.
Resposta republicana e ampliação do embate político
O deputado James Comer, republicano que preside a comissão, rejeitou as acusações de partidarização. Ele afirmou que a investigação é bipartidária e que democratas também votaram para convocar os Clinton. Segundo Comer, o objetivo é esclarecer como Epstein acumulou fortuna e se houve falhas do governo na condução dos processos.
O deputado frisou que ninguém está sendo acusado formalmente, mas que "há perguntas legítimas" sobre vínculos sociais e financeiros do financista com figuras públicas. Entre os nomes citados como possíveis alvos de questionamentos está o secretário de Comércio Howard Lutnick, que já admitiu ter almoçado com Epstein em sua ilha privada.
Paralelos investigativos e pressão política
O deputado democrata Robert Garcia defendeu que o mesmo padrão aplicado aos Clinton valha para Trump. Paralelamente, o Departamento de Justiça informou que analisará se documentos dos chamados "arquivos Epstein" foram retidos de forma indevida.
Veículos de imprensa noticiaram que entrevistas do FBI envolvendo acusações antigas contra Trump não teriam sido integralmente divulgadas. Democratas anunciaram que abrirão investigação para apurar eventual omissão, aumentando a pressão política sobre ambos os partidos em meio à campanha presidencial.
Foco nas vítimas e questionamentos sobre encobrimento
Para Hillary Clinton, a prioridade deveria ser garantir justiça às vítimas de tráfico sexual e reforçar mecanismos de responsabilização. "A questão é o que está sendo escondido, quem está sendo protegido e por quê", afirmou a ex-secretária de Estado durante seu depoimento.
O caso Epstein, que voltou ao centro do debate político americano, mantém tensões entre republicanos e democratas, com ambas as partes buscando posicionar-se como defensores da transparência enquanto trocam acusações de motivações partidárias.



