Ex-secretária de Estado dos EUA enfrenta interrogatório em comissão com maioria republicana
A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, declarou categoricamente nesta quinta-feira (26) que não possui qualquer informação sobre as atividades criminosas do financista Jeffrey Epstein. Em seu depoimento à Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara, com maioria republicana, ela pediu aos legisladores que questionem o ex-presidente Donald Trump sobre o caso sob juramento.
Convocatória e contexto político
Hillary Clinton foi intimada a depor nesta comissão que tem tentado associar o escândalo Epstein a figuras do Partido Democrata. O depoimento de seu marido, o ex-presidente americano Bill Clinton, está agendado para sexta-feira (27). Ambos fornecerão suas respostas aos deputados diretamente de Chappaqua, no estado de Nova York, onde residem, embora a maioria dos depoentes tenha comparecido presencialmente ao Capitólio.
Os Clintons deveriam ter se apresentado à comissão em 2025, mas conflitos de agenda adiaram os testemunhos. Em janeiro deste ano, o casal divulgou uma carta denunciando perseguição por parte do presidente do comitê, o deputado republicano James Comer. Eles chegaram a ser alvo de uma denúncia de desacato pela recusa inicial em depor, o que poderia acarretar consequências legais significativas.
Alegações e defesas
Hillary Clinton não aparece nos arquivos de Epstein, e seus porta-vozes alegam que sua convocação é uma manobra política claramente partidária. Já Bill Clinton aparece em imagens ao lado de Epstein, inclusive realizando voos particulares com o financista — embora não haja acusações formais contra ele até o momento.
O porta-voz de Bill Clinton, Angel Ureña, afirmou que o ex-presidente rompeu relações com Epstein muito antes de os crimes virem à tona. "Eles podem divulgar quantas fotos de mais de 20 anos quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton", declarou Ureña em resposta às alegações.
Confronto entre democratas e republicanos
O casal Clinton e outros democratas acusam os republicanos de tentar desviar a atenção das relações próximas entre Epstein e o atual presidente dos EUA, Donald Trump. O republicano é mencionado diversas vezes nos arquivos do caso e também aparece em fotografias com o milionário.
Arquivos revelados no fim do ano passado mostram um e-mail enviado por Epstein a um colaborador em janeiro de 2019. Na mensagem, o milionário afirma que Trump "sabia" sobre as "garotas", referindo-se às vítimas menores de idade. Esta revelação tem sido usada pelos democratas para pressionar por um questionamento mais rigoroso ao ex-presidente.
A comissão já havia feito concessões anteriores, como permitir o depoimento do empresário Les Wexner, criador da marca Victoria's Secret e figura próxima de Epstein, sem comparecimento presencial obrigatório. Este contexto de flexibilizações contrasta com a insistência na convocação dos Clintons, alimentando as acusações de motivação política.



