Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, causa polêmica com discurso transfóbico e críticas à diversidade
Hegseth causa polêmica com discurso transfóbico e críticas à diversidade

Secretário de Guerra dos EUA provoca indignação com declarações transfóbicas e ataques a políticas de inclusão

O secretário do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, voltou a gerar intensa polêmica nesta semana ao realizar comentários amplamente considerados preconceituosos durante um discurso oficial. A situação ocorreu durante visita a uma fábrica em Rhode Island nesta segunda-feira (9), onde o chefe do Pentágono foi conferir a produção de estruturas e equipamentos para submarinos nucleares americanos, denominados por ele como "arsenal da paz".

Declaração transfóbica em fábrica gera reações imediatas

Em meio ao discurso na fábrica, Hegseth proferiu a frase "Chega de homens de vestido", uma afirmação claramente transfóbica que rapidamente se espalhou pelas redes sociais. A fala foi ainda mais destacada ao ser publicada, em tom de exaltação, por um dos perfis oficiais do governo Trump, que na legenda escreveu: "A multidão foi à loucura". Este episódio representa mais um capítulo na série de controvérsias envolvendo o secretário, conhecido por suas posições conservadoras radicais.

Discurso militar ataca diversidade e defende mudanças radicais

Pouco tempo depois, durante um encontro com aproximadamente 800 líderes de alta patente de todas as tropas americanas na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia, Hegseth intensificou suas críticas. O secretário de Defesa atacou duramente o que chamou de "generais gordos" e afirmou que as iniciativas de diversidade nas Forças Armadas levaram a "décadas de decadência". Em tom confrontacional, declarou que quem não apoiasse sua agenda deveria renunciar às patentes.

"Líderes políticos tolos e imprudentes definiram o rumo errado e nos perdemos. Nos tornamos o Departamento Woke, mas não mais", bradou Hegseth ao iniciar o evento, utilizando um termo frequentemente empregado por republicanos e apoiadores de Trump para criticar políticas consideradas de esquerda.

Mudanças prometidas no Pentágono e demissões de oficiais

Durante seu extenso discurso, Hegseth prometeu transformações radicais na forma como o Pentágono trata denúncias de discriminação e investiga acusações de irregularidades, afirmando que o sistema atual mantém altos escalões "pisando em ovos". Ele justificou as demissões que realizou de oficiais de alto escalão, incluindo o ex-chefe das Forças Armadas Charles Q. Brown, que é negro, e Linda Fagan, primeira mulher a liderar uma das seis forças armadas dos Estados Unidos, alegando que faziam parte de uma cultura falida.

"Se as palavras que estou falando hoje estão deixando seus corações apertados, então vocês deveriam fazer a coisa certa e renunciar. Sei que a grande maioria de vocês sente o oposto. Essas palavras enchem seus corações", declarou o secretário aos militares presentes.

Apoio de Trump e padrões físicos nas Forças Armadas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também compareceu ao evento, ratificou publicamente as declarações de Hegseth. "Se você não gosta do que estou dizendo, pode sair da sala. É claro, lá se vai sua patente, lá se vai seu futuro. Mérito; tudo se baseia no mérito. Não vamos deixar ninguém tomar o seu lugar por motivos políticos, porque essa pessoa é politicamente correta e você não", afirmou o mandatário americano.

Além das questões de diversidade e pensamento político, Hegseth abordou a aparência das tropas, defendendo a volta de padrões mais rígidos. Anunciou que os testes de aptidão física serão definidos apenas para padrões masculinos e criticou veementemente a presença de "generais e almirantes gordos nos corredores do Pentágono", declarando que "a era da aparência pouco profissional acabou" e que "chega de barbas". A plateia, composta por altos líderes militares, permaneceu em silêncio durante essas declarações.

Transformações no Departamento de Defesa sob governo Trump

O Pentágono tem passado por oito meses de mudanças drásticas desde que Trump assumiu o cargo, incluindo diversas demissões e até a proibição de livros em bibliotecas acadêmicas. No início deste mês, Trump assinou uma ordem executiva para renomear o Departamento de Defesa para "Departamento de Guerra", título que manteve até depois da Segunda Guerra Mundial, quando autoridades buscaram enfatizar o papel do Pentágono na prevenção de conflitos. Esta alteração simbólica reflete a postura mais agressiva e menos conciliatória que caracteriza a atual administração.