Hamas elege novo líder após morte de Sinwar: veja favoritos e desafios
Hamas elege novo líder pela primeira vez desde 2024

O movimento Hamas está em processo de eleição para escolher um novo líder máximo, pela primeira vez desde a morte de Yahya Sinwar, ocorrida em outubro de 2024. A informação, divulgada pela agência Reuters nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, revela um momento de redefinição para o grupo, que enfrenta pressões internacionais e um cenário de guerra prolongada.

Processo eleitoral e os principais candidatos

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a escolha do novo chefe será feita por votação secreta entre os 50 membros do Conselho da Shura. Este órgão inclui representantes do Hamas na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e no exílio. O cargo está oficialmente vago desde que Sinwar, considerado o "número 1" do grupo, foi morto em Rafah, no sul de Gaza.

Dois nomes emergem como favoritos na sucessão. O primeiro é Khalil Al-Hayya, de 65 anos, atual negociador-chefe da organização e um de seus principais estrategistas. Nascido em Gaza, Hayya sobreviveu a um ataque aéreo israelense em setembro do ano passado. O segundo é Khaled Meshaal, uma das figuras fundadoras do Hamas e ex-líder político, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato por envenenamento ordenada por Israel em 1997. Ambos residem atualmente no Catar e integram o conselho de cinco membros que tem conduzido o grupo de forma coletiva desde a morte de Sinwar.

Um momento de crise sem precedentes

A eleição ocorre em um dos períodos mais turbulentos da história do Hamas, fundado em 1987. O grupo enfrenta apelos internacionais crescentes para um desarmamento imediato, parte de um plano de cessar-fogo elaborado pelos Estados Unidos. Este plano também prevê a administração de Gaza por um governo palestino tecnocrata, supervisionado por um Conselho de Paz internacional.

Além da escolha do líder principal, o Hamas também busca nomear um vice-líder para substituir Saleh Al-Arouri, morto em um ataque aéreo israelense no Líbano em janeiro de 2024. Internamente, há uma corrente que prefere manter a liderança coletiva instaurada após as mortes dos principais comandantes, indicando possíveis divisões.

O cenário em Gaza e a rejeição ao desarmamento

Apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA estar em vigor desde 10 de outubro, a situação em Gaza permanece extremamente tensa. Israel ainda controla grande parte do território, e bombardeios esporádicos continuam. Autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 400 palestinos foram mortos desde o início da trégua, com Israel alegando que suas ações são respostas a violações do acordo.

O Hamas tem sido alvo de críticas dentro do próprio território palestino devido ao altíssimo custo humano da guerra, iniciada após os ataques de 7 de outubro de 2023. Mais de 70 mil pessoas foram mortas, segundo dados das autoridades de saúde locais. No entanto, o grupo rejeita a proposta de desarmamento como condição para a paz, afirmando que só entregaria suas armas com a criação de um Estado palestino pleno – uma possibilidade rejeitada pelo governo israelense.

A eleição do novo líder, portanto, não é apenas uma mudança de comando, mas uma decisão crucial que definirá a postura do Hamas diante de pressões externas, de um cenário humanitário devastador e do futuro político de Gaza.