O governo da Groenlândia e a Dinamarca emitiram um forte pedido de respeito à integridade territorial do território autônomo neste domingo (4). A reação veio após uma publicação nas redes sociais de Katie Miller, esposa de um alto assessor do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acendeu um novo alerta sobre as intenções americanas na região ártica.
Postagem polêmica gera crise diplomática
No sábado (3), Katie Miller, que é casada com Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, compartilhou em sua conta no X uma imagem da Groenlândia sobreposta com as cores da bandeira dos Estados Unidos. A legenda, escrita em letras maiúsculas, era simples e provocadora: "SOON" (em breve). A publicação foi interpretada como uma referência direta ao desejo público de Trump de anexar a ilha rica em recursos.
Desde seu retorno ao poder em janeiro, Trump tem afirmado repetidamente que os Estados Unidos "precisam" da Groenlândia por razões de segurança estratégica. Em entrevista à revista The Atlantic, ele foi questionado sobre o assunto e respondeu: "Terão que avaliar eles mesmos. Realmente não sei". Mas em seguida foi enfático: "Mas precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para defesa".
Respostas oficiais: do desrespeito à afirmação de soberania
A reação das autoridades dinamarquesas e groenlandesas foi rápida. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, usou o Facebook para classificar a imagem como "desrespeitosa". Ele afirmou que as relações entre países devem se basear no direito internacional e não em símbolos que ignorem direitos soberanos.
"Esta imagem é desrespeitosa. As relações entre os países e os povos se baseiam no respeito e no direito internacional, e não em símbolos que ignoram nosso status e nossos direitos", escreveu Nielsen. O líder, no entanto, tentou acalmar a população, acrescentando: "Não há nenhuma razão para entrar em pânico ou para se preocupar". Ele lembrou que a Groenlândia "não está à venda" e que seu futuro não é decidido em redes sociais.
Pouco antes, o embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, Jesper Møller Sørensen, já havia feito um alerta similar. Em resposta direta à postagem de Miller, ele escreveu: "Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos seguir trabalhando juntos como tais". E completou: "E sim, esperamos o respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca".
Operação na Venezuela é vista como "aviso"
O contexto da publicação é ainda mais sensível por ter ocorrido logo após uma operação militar americana na Venezuela. Na semana passada, o Exército dos EUA capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa durante uma incursão que incluiu bombardeios em Caracas.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a ação na Venezuela serve como um "aviso" para aliados preocupados com as ameaças de Trump de se apoderar de recursos estratégicos. A vontade declarada de anexar a Groenlândia é o ponto de partida mais evidente dessa postura.
Katie Miller, que por muito tempo foi assessora e porta-voz de uma comissão governamental dirigida por Elon Musk antes de ser contratada pelo bilionário no setor privado, não fez novos comentários sobre a polêmica. A situação mantém tensas as relações entre EUA e Dinamarca, aliados históricos na OTAN, em um momento geopolítico já extremamente volátil.