Greve geral na Argentina provoca cancelamento de voos com destino a Natal
Uma greve geral que ocorre na Argentina nesta quinta-feira (19) contra a reforma trabalhista do governo de Javier Milei causou o cancelamento de quatro voos na rota entre Natal e Buenos Aires. As operações afetadas incluem dois voos de chegada ao Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, e dois de partida com destino ao Aeroporto de Ezeiza, na capital argentina.
Companhias aéreas afetadas e orientações aos passageiros
Os voos cancelados seriam operados pelas companhias Gol e JetSmart. Em nota oficial, a concessionária Zurich Airport Brasil, que administra o aeroporto potiguar, confirmou os cancelamentos e orientou os passageiros a:
- Procurarem os canais oficiais das companhias aéreas para obter informações atualizadas
- Solicitarem a remarcação de seus voos diretamente com as empresas
- Evitarem deslocamentos desnecessários até o terminal aeroportuário
A Gol informou que está comunicando os clientes impactados por e-mail e oferecendo as seguintes opções:
- Remarcação sem custos para outras datas
- Solicitação de reembolso em créditos através do site oficial da empresa
Para compras realizadas com milhas, a companhia orienta o contato direto com a Smiles. A Jetsmart, por sua vez, não se pronunciou sobre os cancelamentos até o fechamento desta reportagem.
Contexto da greve geral na Argentina
A greve geral foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior central sindical argentina, e teve início às 00h desta quinta-feira (19). O protesto coincide com o início das discussões na Câmara dos Deputados sobre o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo Milei ao Congresso.
O Senado argentino já aprovou o texto na semana passada, e o governo espera que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro, com aprovação final até 1º de março. Além da greve, são esperados diversos protestos nas ruas, embora não oficialmente endossados pela CGT.
Detalhes da reforma trabalhista em debate
A reforma trabalhista proposta pelo governo argentino representa uma das maiores mudanças na legislação do país em décadas, revisando regras que remontam principalmente aos anos 1970. O projeto é amplo e contempla:
- Flexibilização de contratos de trabalho
- Modificação das regras de férias e jornada laboral
- Facilitação de processos de demissão
- Estabelecimento de limites para greves e paralisações
O objetivo declarado do governo é reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde aproximadamente 40% dos trabalhadores atuam na informalidade. Para acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original, incluindo a retirada do artigo que permitiria pagamentos salariais em moeda estrangeira ou carteiras digitais.
Medidas de segurança e protestos anteriores
Em resposta aos protestos esperados, o governo Milei determinou que a imprensa siga "medidas de segurança" específicas, uma atitude considerada incomum nas coberturas de manifestações. As autoridades também advertiram sobre possíveis situações de risco durante os atos públicos dos próximos dias.
Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso argentino durante o debate no Senado, resultando em confrontos com a polícia e aproximadamente trinta detenções. A expectativa é que os protestos desta quinta-feira sigam padrão semelhante de mobilização e tensão.



