G7 mantém estoques de petróleo em reserva apesar de preço ultrapassar US$ 100 por barril
G7 não libera estoque de petróleo apesar de preço acima de US$ 100

G7 mantém estoques estratégicos de petróleo intactos apesar de pressão do mercado

Em uma reunião de emergência realizada nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, os ministros das Finanças do G7 optaram por não liberar as reservas emergenciais de petróleo do grupo, mesmo diante da disparada dos preços que ultrapassaram a marca de US$ 100 por barril. A decisão ocorre em meio ao conflito no Oriente Médio, que desestabilizou cadeias de produção, afetou refinarias e provocou estrangulamentos nas exportações por vias marítimas.

Declaração conjunta sem ações concretas

O ministro francês Roland Lescure, que falou à imprensa após o encontro virtual, afirmou que "ainda não chegamos a essa decisão" de acionar os estoques estratégicos. Em uma declaração conjunta, os representantes das sete maiores economias do mundo afirmaram estar "prontos para tomar as medidas necessárias", incluindo o apoio ao fornecimento global de energia, mas não anunciaram nenhuma ação concreta imediata.

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), que participou da reunião, confirmou que todas as opções foram discutidas, inclusive a disponibilização das reservas geridas pela agência e seus 32 membros. No entanto, a posição final foi de aguardar os desdobramentos do conflito.

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Pressão interna e histórico das reservas

De acordo com informações do Financial Times, os Estados Unidos e outros três países do G7 defendiam a liberação de parte dos estoques, que poderia variar entre 300 e 400 milhões de barris, representando aproximadamente 25% a 35% do total de 1,2 bilhão de barris em reserva. O sistema de estoques emergenciais foi criado em 1974, após o primeiro choque do petróleo, e desde então houve apenas cinco liberações coletivas, sendo as duas últimas em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Impacto econômico e geopolítico

A grave interrupção no fornecimento de energia da região do Oriente Médio ameaça aumentar os preços para consumidores e empresas em todo o mundo, potencialmente elevando a inflação e reduzindo a margem para cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais. As bolsas de valores na Ásia, Reino Unido e Europa continental abriram em queda nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos investidores com uma crise de abastecimento.

O petróleo Brent, referência internacional, atingiu um pico de US$ 119,50 o barril durante o pregão, representando uma alta de 29%, antes de recuar para US$ 106,73. Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel, juntamente com a campanha retaliatória iraniana, afetaram refinarias por todo o Oriente Médio e estrangularam exportações por vias marítimas.

Fechamento do Estreito de Ormuz e ataques a instalações

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla junto a Omã a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, colocou pressão adicional sobre os mercados internacionais. Dados da consultoria Kpler indicam que o tráfego de petroleiros por essa rota vital caiu 90% desde o início do conflito.

Pelo menos cinco instalações de produção de petróleo em Teerã e arredores foram atingidas por ataques, enquanto a companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou um corte preventivo na produção e o Bahrein limitou exportações após uma explosão em sua maior refinaria. Autoridades árabes afirmaram à NBC News que os ataques a instalações petrolíferas são propositais, visando aumentar os preços globais de energia para pressionar Washington e o governo israelense a interromperem o conflito.

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