Crise energética global se agrava com guerra no Oriente Médio
O conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel desencadeou uma crise mundial de desabastecimento de petróleo e gás natural, forçando nações a buscar alternativas urgentes para evitar o colapso de suas redes energéticas. Nesta terça-feira, 24 de março de 2026, as Filipinas declararam oficialmente "estado de emergência energética nacional", enquanto diversos países asiáticos, altamente dependentes do fornecimento do Golfo, retornam ao uso massivo do carvão, combustível fóssil extremamente poluente.
Bloqueio do Estreito de Ormuz paralisa fornecimento para a Ásia
De acordo com dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, mais de 80% do petróleo e do gás natural liquefeito que transitam pelo Estreito de Ormuz têm como destino final a Ásia. Com o bloqueio dessa crucial rota marítima por Teerã, os países do continente enfrentam uma vulnerabilidade sem precedentes, já que sua economia e infraestrutura energética dependem intensamente desses combustíveis.
O presidente filipino Ferdinand Marcos justificou a medida emergencial afirmando: "Declara-se o estado de emergência energética nacional devido ao atual conflito no Oriente Médio e ao perigo iminente que representa para a disponibilidade e a estabilidade do abastecimento de energia no país". A secretária de Energia, Sharon Garin, revelou que o governo está em negociações com usinas termelétricas para aumentar a produção de carvão.
Retorno ao carvão gera preocupação ambiental
Diante da escassez, várias nações asiáticas estão adotando medidas drásticas:
- Tailândia prepara a reativação de duas usinas de carvão desativadas no ano anterior
- Indonésia reverteu sua decisão de reduzir a produção nacional do insumo
- Coreia do Sul elevou o limite de geração de energia por carvão
- Filipinas, onde o carvão já representa 60% da matriz energética, pretende intensificar ainda mais seu uso
Essa guinada para o carvão preocupa ambientalistas, pois deve resultar em aumento significativo das emissões tóxicas na região. A facilidade de obtenção local do combustível, no entanto, torna-o uma alternativa imediata frente à crise.
Crise pode acelerar transição para energias renováveis
Paradoxalmente, especialistas enxergam na situação atual uma oportunidade histórica para acelerar a adoção de fontes renováveis. Putra Adhiguna, diretor do Energy Shift Institute, explica: "Elas são mais baratas no longo prazo e entregam maior estabilidade, uma vez que não estão expostas à flutuação do mercado global de commodities".
Em entrevista à AFP, Adhiguna destacou que a segurança no abastecimento oferecida pelas renováveis deve superar as dificuldades de financiamento da transição energética. "Acho que já estamos vendo algo disso nos países do Sudeste Asiático", afirmou, observando que a crise está levando governos a reconsiderarem profundamente suas políticas energéticas.
Enquanto as Filipinas enfrentam um dos piores cenários de desabastecimento devido à sua forte dependência de importações de hidrocarbonetos, a crise energética global já é comparada por analistas aos choques do petróleo dos anos 1970, porém com potencial para catalisar mudanças estruturais no setor.



