Em um apelo direto e inédito, a ex-imperatriz do Irã, Farah Pahlavi, conclamou publicamente as Forças Armadas do país a se juntarem aos protestos massivos que desafiam o regime da República Islâmica. O comunicado, divulgado em suas redes sociais na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, reforça o pedido feito por seu filho, Reza Pahlavi, e ocorre em um momento de repressão violenta e bloqueio de comunicações.
Um Apelo Direto da Exílio
Desde seu exílio, dividido entre Paris e Washington, Farah Pahlavi dirigiu-se diretamente aos militares iranianos. Em sua mensagem publicada no X (antigo Twitter), ela fez um emocionado apelo à consciência das tropas. “Lembrem-se de que a sobrevivência de qualquer governo e a preservação de qualquer benefício não justificam o derramamento do sangue de seus compatriotas”, escreveu a viúva do último xá, Mohammad Reza Pahlavi, deposto pela Revolução Islâmica de 1979.
Ela instou os soldados a ouvirem a voz das ruas: “Ouçam os gritos de raiva e fúria dos manifestantes. Unam-se a seus irmãos e irmãs antes que seja tarde demais”. A ex-imperatriz também alertou sobre o futuro dos próprios militares e de suas famílias, afirmando que “o Irã livre de amanhã também pertence a seus filhos”.
Protestos Ampliam Reivindicações e Monarquia Volta ao Debate
O tom e o contexto da mensagem marcam uma escalada no envolvimento da família Pahlavi com os protestos. Enquanto Farah já havia manifestado apoio no início do ano, o novo chamado coincide com uma mudança qualitativa nos protestos. As manifestações, que começaram com demandas econômicas, agora pedem abertamente o fim da República Islâmica, criada há 47 anos.
Este cenário trouxe de volta à discussão pública a possibilidade da restauração da monarquia como uma alternativa ao governo dos aiatolás. Nos protestos, gritos pró-Pahlavi e pedidos pela volta da realeza têm sido comuns, impulsionados pela figura de Reza Pahlavi, filho do casal imperial, que vive nos Estados Unidos e é uma das principais vozes da oposição.
Farah Pahlavi também mencionou na mensagem o bloqueio das comunicações imposto pelo regime, que já durava mais de quatro dias na época. Ela afirmou que a voz do povo é “forte demais para ser silenciada”, mesmo com o corte de telefonia e internet. A agência Associated Press reportou que, na mesma segunda-feira, o governo permitiu brevemente algumas ligações internacionais.
Contexto Histórico e Figuras Chave
Farah Pahlavi foi a terceira esposa do xá Mohammad Reza Pahlavi, a quem conheceu quando estudava arquitetura em Paris. O casal se tornou um ícone global nas décadas de 1960 e 1970, com a imagem da imperatriz até mesmo imortalizada pelo artista pop Andy Warhol. Eles deixaram o Irã em janeiro de 1979, semanas antes da vitória da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. O xá morreu no exílio, no Cairo, em 1980.
Seu filho, Reza Pahlavi, tem sido ativo na convocação dos protestos atuais. Na semana passada, ele não só incentivou os iranianos a irem às ruas pelas redes sociais, como também pediu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conter a repressão. Segundo organizações não-governamentais e até fontes dentro do próprio governo iraniano, a violência da repressão já teria causado cerca de 2.000 mortes entre os manifestantes.
Ao final de sua publicação, Farah Pahlavi dirigiu-se ao povo iraniano como “meus filhos”, pedindo esperança e força. “Sejam fortes e acreditem que em breve vocês celebrarão juntos a liberdade no Irã, e a luz triunfará sobre as trevas”, concluiu, encerrando um apelo que mistura maternidade simbólica, política e um claro posicionamento contra o regime atual.