Ex-aliados de Maduro denunciam perseguição política em documentário
Ex-aliados denunciam perseguição de Nicolás Maduro

Um documentário inédito traz à tona relatos impactantes de antigos colaboradores do governo venezuelano que afirmam ter sido perseguidos pelo presidente Nicolás Maduro. As acusações surgem em um momento em que o líder autoritário voltou a ser alvo de críticas internacionais, incluindo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Comparação com a Gestapo e medo de golpe

Entre os depoimentos mais fortes está o de Manuel Figuera, que dirigiu o Serviço de Inteligência do país entre 2018 e 2019. Figuera não poupou críticas ao comparar a atuação do aparato de segurança sob Maduro com métodos nazistas. "Ele passou a usar essa força como polícia política. Era para ele como a Gestapo estava para Hitler", declarou.

Outra figura de peso que rompeu com o regime é Rafael Ramírez, ex-ministro do Petróleo e peça fundamental no governo de Hugo Chávez. Ramírez alega que a perseguição começou porque Maduro via nele uma ameaça ao poder. "Ele mandou me prender porque achou que eu poderia tomar o lugar dele. Fui forçado a me exilar", contou.

O ex-ministro ainda detalha que foi acusado de corrupção sem que fossem apresentadas provas e que teve sua casa invadida. Sua indignação transparece ao falar sobre o legado do governo: "Você pergunta como eu me sinto? Indignado! Porque eles destruíram o país e todos os sonhos que tínhamos juntos".

Fuga dramática e denúncia de execuções

A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, também narra uma história de perseguição após se posicionar contra os abusos do regime. Segundo ela, a situação tornou-se tão perigosa que precisou fugir do país de maneira clandestina. "Tive que fugir numa moto, disfarçada com peruca, porque soldados me ameaçavam", revelou.

Em seu testemunho, Ortega faz uma grave denúncia sobre a violência de Estado, afirmando que mais de 8 mil venezuelanos foram executados pela polícia e pelo Exército. Seu relato reforça as acusações de violações sistemáticas dos direitos humanos no país.

Repercussão e contexto político

O documentário, que revisa a trajetória do líder venezuelano, surge em um contexto de crescente isolamento internacional de Maduro e de aumento da pressão por mudanças no país. Os depoimentos de figuras que um dia estiveram no centro do poder chavista oferecem um raro olhar interno sobre os mecanismos de controle e repressão.

As revelações fortalecem as críticas de organismos internacionais e de governos estrangeiros, que frequentemente acusam o regime de autoritarismo. A comparação com a Gestapo e os relatos de prisões políticas sem fundamento legal pintam um quadro sombrio da realidade venezuelana nos últimos anos.

O material audiovisual serve como um documento histórico crucial, dando voz àqueles que, após fazerem parte do projeto político, tornaram-se vítimas do mesmo sistema que ajudaram a construir. A história contada por eles é um alerta sobre os perigos da concentração de poder e da erosão das instituições democráticas.