EUA oficializam saída da OMS com dívida aberta de US$ 260 milhões
Os Estados Unidos devem concretizar oficialmente sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, conforme confirmado por porta-voz do Departamento de Estado americano à agência Reuters. A decisão, que cumpre promessa feita pelo presidente Donald Trump em seu primeiro dia de segundo mandato, ocorre com uma dívida pendente de US$ 260 milhões em taxas não pagas, violando diretamente a legislação americana que exige o pagamento integral antes da saída.
Decisão de Trump e violação legal
Donald Trump anunciou formalmente a intenção de retirar os Estados Unidos da OMS através de decreto publicado em 20 de janeiro de 2025. De acordo com as regras estabelecidas, o país precisava notificar a organização com um ano de antecedência e quitar todas as obrigações financeiras pendentes antes da efetivação da saída. No entanto, o governo americano insiste que "já pagou mais que o suficiente" para a organização, conforme declarou porta-voz oficial.
O representante do Departamento de Estado argumentou que a OMS fracassou em conter, gerenciar e compartilhar informações de saúde, o que teria custado aos Estados Unidos trilhões de dólares. Ele afirmou ainda que é prerrogativa do chefe do Executivo suspender a transferência futura de quaisquer fundos, apoio ou recursos do governo americano para o órgão, incluindo as taxas devidas referentes aos anos de 2024 e 2025.
Reações internacionais e apelos
Ao longo do último ano, diversos líderes globais e especialistas em saúde pública pediram que Trump reconsiderasse a medida. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou publicamente sua preocupação no início de janeiro, declarando: "Espero que os Estados Unidos voltem a integrar a OMS. Isso é uma perda para os Estados Unidos e para o resto do mundo."
Bill Gates, fundador da Microsoft e presidente da Fundação Gates, uma das principais financiadoras de iniciativas globais de saúde, previu durante conversa com a Reuters que a decisão de Trump não deve ser revertida no curto prazo. "Não acredito que os Estados Unidos retornarão à OMS em um futuro próximo", afirmou Gates, enquanto reiterava a importância fundamental da organização para a saúde mundial.
Crise orçamentária e impactos globais
A retirada americana desencadeou uma grave crise financeira na OMS, considerando que Washington contribuía com aproximadamente um quinto do financiamento total da agência. As consequências já são visíveis:
- A equipe de gestão foi reduzida pela metade
- Atividades essenciais foram drasticamente reduzidas
- Cortes orçamentários afetaram toda a estrutura da agência
- Espera-se redução de cerca de 20% no quadro de funcionários até meados de 2026
Especialistas em saúde global alertam que a ausência do país mais rico do mundo representa riscos significativos não apenas para os americanos, mas para a OMS e para toda a comunidade internacional. Kelly Henning, líder do programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, organização sem fins lucrativos com sede em Nova York, destacou: "Isso pode enfraquecer os sistemas e as colaborações dos quais o mundo depende para detectar, prevenir e responder a ameaças à saúde."
Próximos passos e discussões
Os Estados-membros da OMS devem discutir os impactos da ausência americana durante um conselho executivo programado para fevereiro. A organização afirmou que tem trabalhado em colaboração com os Estados Unidos e compartilhado informações ao longo do último ano, mas não ficou claro como essa cooperação funcionará a partir de agora.
A medida levanta sérias preocupações sobre a capacidade da OMS em responder a futuras pandemias e emergências sanitárias globais, especialmente considerando o papel histórico dos Estados Unidos como principal financiador e influenciador nas políticas de saúde internacional.