O governo do estado de Illinois, nos Estados Unidos, moveu uma ação judicial contra a administração do presidente Donald Trump nesta segunda-feira, 12 de janeiro. O processo questiona o uso de agentes fortemente armados em operações de fiscalização de imigração dentro do estado.
Acusações de uso excessivo da força
O governador democrata de Illinois, JB Pritzker, justificou a ação ao afirmar que ela foi motivada pelo "uso perigoso da força" por parte do Departamento de Segurança Interna federal. A petição, apresentada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte de Illinois, descreve uma realidade alarmante.
Segundo o documento, agentes uniformizados com treinamento militar, portando armas semiautomáticas e equipamento de nível bélico, têm atuado de forma indiscriminada há meses na região de Chicago. A ação alega que esses agentes param, interrogam e detêm residentes de maneira ilegal, sob o pretexto de "fiscalização da imigração".
O processo acusa explicitamente o governo Trump de "causar tumulto e impor um clima de medo" em Illinois, estado que tem Chicago como sua maior cidade e principal alvo das batidas promovidas pela administração federal.
Minnesota segue o mesmo caminho
Na mesma data, o estado de Minnesota ingressou com uma ação judicial semelhante. O processo tem como alvo a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e vários funcionários de agências de imigração americanas.
A medida busca impedir a intensificação da fiscalização imigratória no estado, um movimento que ganhou força após um incidente trágico. Na semana passada, Renee Nicole Good morreu durante uma intervenção de um agente federal. O caso inflamou o debate sobre as políticas de imigração da gestão Trump, que classificou o episódio como "legítima defesa".
A ação de Minnesota pede que a corte declare o aumento da fiscalização como inconstitucional e ilegal. Além disso, requer uma ordem para impedir que o governo federal detenha cidadãos americanos e portadores de visto válido sem uma suspeita fundamentada de crime.
O estado também solicita a proibição de agentes federais ameaçarem usar força física ou exibirem armas contra indivíduos que não estejam sujeitos a prisão por questões migratórias, entre outras restrições à atuação das tropas.
Contexto político e protestos nacionais
As ações judiciais ocorrem em um contexto de tensão política. No último dia de 2025, o presidente Trump anunciou a retirada da Guarda Nacional de cidades como Chicago, Los Angeles e Portland. No entanto, ele fez uma ressalva ameaçadora, afirmando que as forças federais retornariam "quando a criminalidade começar a disparar novamente".
Trump atribuiu uma suposta redução da criminalidade à presença desses "grandes patriotas", mas nunca apresentou dados concretos que comprovassem nem o aumento inicial que justificou o envio das tropas, nem a queda posterior citada por ele.
Críticos do presidente avaliam que o envio de agentes da Guarda Nacional para cidades governadas por democratas ao longo de 2025 foi uma manobra política. O objetivo, segundo essa visão, seria punir adversários e reprimir a dissidência.
A morte de Renee Good em Minnesota serviu como catalisador para uma onda de protestos. No fim de semana anterior, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Minneapolis para protestar contra o ICE, o serviço de imigração dos EUA. No total, mais de mil manifestações foram convocadas em todo o país contra a campanha de deportações do governo Trump.
O presidente, por sua vez, mantém sua retórica de confronto. Ao ameaçar um possível retorno das forças federais, ele sugeriu que isso poderia acontecer "talvez de uma forma muito diferente e mais forte", defendendo que seria "apenas uma questão de tempo".