Esquerda retoma ofensiva contra Congresso após derrotas de Lula em 1º de Maio
Esquerda retoma ofensiva contra Congresso após derrotas de Lula

Cerca de mil pessoas participaram de uma manifestação contra a escala de trabalho 6×1 organizada pela esquerda sindicalista em São Paulo nesta sexta-feira, 1º de Maio. O ato ocorreu na Praça Roosevelt, região central da capital paulista, com início por volta das 9h. No trio elétrico, o tom geral dos palestrantes foi de críticas ferrenhas ao Congresso Nacional, na esteira de duas duras derrotas sofridas pelo governo Lula no Legislativo.

Derrotas do governo no Congresso

Na quarta-feira, 29, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. No dia seguinte, os parlamentares derrubaram os vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, abrindo caminho para a redução de penas de condenados por tentativa de golpe de Estado — entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Discurso contra o Parlamento

Tanto em bandeiras quanto no microfone, o lema “Congresso inimigo do povo” foi exibido e repetido à exaustão e ecoado pelos manifestantes. Em diversos momentos, os presentes entoaram coros de “Sem anistia” e “Dosimetria é traição, o Congresso é inimigo da nação”. O uso da expressão “Congresso inimigo do povo” foi adotado com bastante força em meados do ano passado, quando deputados e senadores impuseram derrotas ao governo, como na votação das alíquotas do IOF — a ofensiva à época irritou os chefes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que reclamaram a Lula.

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Lideranças presentes

Discursaram no palanque várias lideranças políticas de esquerda, como as ex-ministras Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, e Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, e a deputada federal Érika Hilton (PSOL), autora da proposta legislativa que extingue a escala 6×1 no Brasil. “É aqui que estão os verdadeiros patriotas desse país”, declarou a parlamentar, ironizando o termo que virou identidade para a direita bolsonarista e cristã.

Ataques a presidentes do Congresso

Líderes sindicais e estudantis aproveitaram a oportunidade de chamar de “bandidos” os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Ambos foram recorrentemente apontados como antagonistas ao governo federal e responsáveis pelas articulações que levaram à recusa de Messias e à derrubada dos vetos à dosimetria.

Campanha eleitoral de 2026

A campanha eleitoral de 2026 também foi pauta da manifestação. Diversos palestrantes clamaram aos manifestantes por uma frente ampla da esquerda para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e eleger o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo — o atual gestor, Tarcísio de Freitas, foi chamado de “pior governador da história paulista” e responsabilizado por operações policiais violentas que causaram dezenas de mortes no litoral do estado.

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