Exclusão do Irã em Davos pode fortalecer linha dura, alerta especialista
Especialista critica exclusão do Irã de Davos

O Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça, decidiu excluir o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, de sua programação. A participação do chanceler, prevista para a terça-feira, 20 de janeiro de 2026, foi considerada inapropriada pelos organizadores devido à onda de violência nos protestos que assolam o país.

Divisão interna de poder no Irã

Em entrevista ao Conexão Record News na segunda-feira, 19 de janeiro, o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan analisou o impacto político da decisão. Ele destacou que existe uma luta interna pelo poder no Irã, com duas visões principais em conflito.

De um lado, está a linha mais moderada, representada pelo chanceler Abbas Araghchi e pelo presidente Masoud Pezeshkian. Do outro, a linha mais dura, encabeçada pela Guarda Revolucionária Iraniana, a quem Trevisan atribui a responsabilidade pelas cerca de 5.000 mortes registradas nos recentes protestos.

Exclusão é um erro político, afirma especialista

Para Leonardo Trevisan, a decisão de isolar diplomaticamente o Irã neste momento é contraproducente. O professor argumenta que não conversar com o chanceler não ajuda a ala moderada do governo iraniano, que poderia ser um interlocutor mais aberto.

"Talvez politicamente fosse mais vantagem aceitar uma conversa com ele do que excluir o Irã das negociações", afirmou Trevisan durante a entrevista. A exclusão total, segundo sua análise, corre o risco de fortalecer as facções radicais dentro do país, que defendem um posicionamento mais intransigente perante a comunidade internacional.

Consequências para o diálogo global

A movimentação em Davos reflete a tensão constante entre a pressão internacional por mudanças no Irã e a busca por canais de diálogo. Ao vetar a participação de um representante oficial, o fórum fecha uma porta para discussões que poderiam ocorrer em um ambiente multilateral.

A análise de Trevisan sugere que, em contextos de crise interna complexa, a estratégia de isolamento pode ter efeitos opostos aos desejados. Em vez de enfraquecer o regime, pode unir facções internas contra uma ameaça externa comum e retirar espaço de manobra dos grupos mais inclinados ao diálogo.

O episódio deixa claro como decisões de protocolo e participação em eventos internacionais carregam um peso geopolítico significativo, influenciando dinâmicas de poder que vão muito além dos salões de conferência.