Espanha rejeita uso de bases militares por EUA contra Irã e enfrenta ameaças comerciais de Trump
Espanha rejeita bases militares para EUA atacarem Irã

Espanha nega uso de bases militares para ataques dos EUA ao Irã e enfrenta retaliação comercial

O governo da Espanha tomou uma posição firme ao rejeitar o uso de suas bases militares pelos Estados Unidos para realizar ataques contra o Irã. A decisão, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, ocorreu após os EUA e Israel lançarem ofensivas contra o Irã no último fim de semana. Albares enfatizou que as bases espanholas não seriam utilizadas para operações que não estejam previstas nos acordos bilaterais ou que violem a Carta das Nações Unidas.

Retirada de aeronaves norte-americanas e posição internacional

Como consequência imediata da decisão espanhola, quinze aeronaves norte-americanas foram obrigadas a deixar as bases de Rota, em Cádiz, e Morón, em Sevilha. A ministra da Defesa, Margarita Robles, explicou que essas aeronaves, incluindo aviões-tanque de reabastecimento como o Boeing KC-135 Stratotanker, estavam permanentemente estacionadas no território espanhol. Inicialmente, o Reino Unido também havia recusado permitir o uso de suas bases para ataques ao Irã, mas mudou de posição no domingo, autorizando a medida sob o argumento de autodefesa coletiva.

A posição espanhola foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, que questionou publicamente se a Espanha estava "do lado certo da história". Em resposta, Albares reiterou na terça-feira, 3 de março, que a Espanha condena os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, classificando-os como uma operação unilateral fora do direito internacional. Ele destacou que o país não espera "nenhuma consequência" por essa postura, afirmando que os ataques não se enquadram nos acordos bilaterais existentes.

Ameaças comerciais de Trump e resposta europeia

A reação norte-americana não demorou a surgir. O presidente Donald Trump ameaçou impor um bloqueio comercial completo contra a Espanha durante um encontro na Casa Branca com o chanceler alemão Friedrich Merz. Trump declarou que pararia "tudo o que estiver relacionado com a Espanha, todos os negócios relacionados com a Espanha", criticando também a decisão espanhola de não elevar o orçamento de Defesa para 5% do PIB, como defendido por outros membros da NATO.

O governo espanhol respondeu que seus acordos comerciais com os EUA são realizados dentro do marco da União Europeia, destacando uma "relação comercial histórica mutuamente benéfica". Fontes oficiais afirmaram que qualquer revisão dessa relação deve respeitar a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre UE e EUA.

Solidariedade da União Europeia e posição firme de Sánchez

A Comissão Europeia garantiu nesta quarta-feira, 4 de março, que está pronta para agir e proteger os interesses comerciais do bloco. O porta-voz para Comércio, Olof Gill, declarou que a UE está em "total solidariedade" com todos os Estados-membros e pronta para salvaguardar seus interesses. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou apoio total à Espanha em conversa telefônica com o primeiro-ministro Pedro Sánchez.

Pedro Sánchez se pronunciou diretamente sobre a tensão, afirmando que é contra a guerra no Oriente Médio e que não mudará de posição "simplesmente por medo de represálias". Ele repudiou o regime do Irã, mas rejeitou o conflito, pedindo uma solução diplomática. Sánchez ressaltou que a posição espanhola é "coerente" com a adotada em outros conflitos internacionais e que o país não será "cúmplice de algo que é ruim para o mundo".

O vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Stéphane Séjourné, deixou claro que "qualquer ameaça comercial contra um Estado-membro é, por definição, uma ameaça contra a União Europeia". A situação continua em desenvolvimento, com a comunidade internacional acompanhando de perto as repercussões dessa crise diplomática e comercial.