Enviado de Trump marca reunião crucial com Putin para avançar negociações de paz na Ucrânia
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, confirmou que se reunirá com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, em Moscou. O encontro, que também contará com a presença de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, tem como objetivo central discutir a paz, a Ucrânia e as relações entre os países envolvidos no conflito.
Esperança e detalhes limitados sobre as negociações
Witkoff expressou otimismo em relação ao diálogo, afirmando que tem "esperança" para os resultados, embora tenha evitado fornecer informações mais específicas sobre os termos da conversa. Quando questionado sobre a possibilidade de um encontro paralelo com autoridades ucranianas, o enviado respondeu de forma afirmativa, indicando que as negociações podem se expandir para incluir múltiplas partes interessadas.
Segundo a agência de notícias estatal russa TASS, a reunião será realizada na capital russa, reforçando o papel de Moscou como palco central para as discussões diplomáticas. Em entrevista anterior à emissora americana CNBC, Witkoff revelou que a iniciativa partiu da Rússia, o que ele interpretou como "uma declaração significativa da parte deles", sugerindo uma abertura para o diálogo.
Contexto internacional e movimentos recentes
O encontro ocorre em um momento de intensa atividade diplomática. Na semana passada, Rustem Umerov, principal negociador da Ucrânia, destacou que as conversas com autoridades americanas sobre uma resolução para a guerra, que já dura quase quatro anos, continuariam durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Além disso, na terça-feira, 20 de janeiro, Witkoff manteve uma reunião de duas horas com Kirill Dmitriev, enviado de Putin, às margens do evento em Davos, conforme relatado por uma fonte da agência Reuters. Esse prévio contato pode ter pavimentado o caminho para o encontro mais amplo em Moscou.
Polêmicas e críticas envolvendo o enviado americano
A atuação de Witkoff tem sido alvo de controvérsias, especialmente devido a seu comportamento percebido como pró-Rússia. Em novembro do ano passado, um telefonema vazado entre ele e Yuri Ushakov, assessor de política externa da Rússia, causou polêmica ao revelar que o americano ofereceu conselhos ao Kremlin sobre como lidar com a Casa Branca para fechar um acordo favorável sobre a guerra na Ucrânia.
Na transcrição divulgada pela Bloomberg, Witkoff sugeriu que Putin elogiasse Trump por suas conquistas, como o acordo de Gaza, para facilitar as negociações. Ele afirmou: "Eu faria a ligação e reiteraria que você parabeniza o presidente por essa conquista, que você a apoiou, que você o respeita por ser um homem de paz". Ushakov concordou, prometendo que Putin diria que Trump é "um verdadeiro homem da paz".
Essas ações irritaram aliados europeus da Ucrânia, que veem com ceticismo a aproximação de Witkoff com altos funcionários russos, incluindo encontros anteriores com o próprio Putin.
Encontros recentes e desafios persistentes
No final de dezembro, Trump recebeu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, onde discutiram uma proposta de cessar-fogo. Apesar do tom otimista, divergências centrais, como garantias de segurança de longo prazo e concessões territoriais, permaneceram sem solução.
Esse encontro seguiu uma "conversa muito produtiva" por telefone entre Trump e Putin, indicando uma tentativa contínua de mediação por parte dos Estados Unidos. Witkoff também mencionou que acredita que Putin aceitaria um convite para compor o Conselho de Paz para Gaza, uma proposta que tem enfrentado críticas devido ao contexto da guerra na Ucrânia.
Com a reunião marcada para esta quinta-feira, o mundo aguarda ansiosamente os desdobramentos, que podem definir novos rumos para o conflito e as relações internacionais envolvendo Estados Unidos, Rússia e Ucrânia.