Japoneses votam em eleições antecipadas com vitória esmagadora de Takaichi e apoio de Trump
Eleições no Japão: Takaichi vence com apoio de Trump e maioria parlamentar

Japoneses enfrentam nevascas para votar em eleições antecipadas com vitória histórica de Takaichi

Os japoneses foram às urnas neste domingo (8) em eleições antecipadas convocadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que resultaram em uma vitória esmagadora para seu Partido Liberal Democrata (PLD) e sua coalizão governista. O pleito, realizado em meio a nevascas recordes em várias regiões do país, consolidou o controle parlamentar da premiê, que recebeu imediatas congratulações do presidente norte-americano Donald Trump.

Vitória parlamentar e apoio internacional

O Partido Liberal Democrata, liderado por Takaichi, conquistou ao menos dois terços do Parlamento japonês, ultrapassando a marca de 233 assentos em menos de duas horas após o fechamento das urnas. Somando forças com o partido de coalizão Nippon Ishin no Kai (Partido da Inovação do Japão), o bloco governista deve obter entre 302 e 366 assentos no total, reforçando significativamente a base de apoio do governo no legislativo.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, parabenizou publicamente a primeira-ministra através de suas redes sociais, descrevendo-a como uma líder "forte, poderosa e sábia" e elogiando sua "decisão ousada e sábia" de convocar as eleições antecipadas. Trump confirmou que receberá Takaichi na Casa Branca no próximo mês de março, destacando a importância da cooperação bilateral em comércio e segurança.

Contexto eleitoral e desafios climáticos

Takaichi dissolveu o Parlamento japonês em 19 de janeiro e convocou as eleições apenas oito dias depois, estabelecendo o período eleitoral mais curto desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com apenas 16 dias entre a dissolução e a votação. O objetivo era transformar sua alta popularidade, especialmente entre os jovens, em uma maioria mais consolidada no legislativo.

Os eleitores enfrentaram condições climáticas adversas, com nevascas recordes que prejudicaram o trânsito e obrigaram algumas seções eleitorais a fecharem mais cedo. Esta foi apenas a terceira eleição do pós-guerra realizada em fevereiro, mês tradicionalmente evitado por conta do clima severo no arquipélago.

Perfil da premiê e promessas de campanha

Sanae Takaichi, de 64 anos, tornou-se em outubro a primeira mulher a governar o Japão e a quinta chefe de governo do país em cinco anos. Apesar de suas posições conservadoras historicamente avessas a políticas de gênero e favoráveis a restrições à imigração, ela se tornou um fenômeno nas redes sociais, gerando uma "febre" chamada sanakatsu (mania por Sanae) entre os jovens.

Entre suas principais promessas de campanha está a suspensão do imposto sobre vendas de 8% sobre alimentos, medida destinada a ajudar as famílias a lidarem com a alta dos preços. Esta proposta, no entanto, gera preocupações entre investidores sobre como o Japão, que possui o maior endividamento entre as economias avançadas, financiará o plano sem comprometer a estabilidade fiscal.

Reações e perspectivas futuras

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, elogiou Takaichi como uma "grande aliada" após a vitória eleitoral, enfatizando que "quando o Japão está forte, os Estados Unidos estão fortes na Ásia". Entre os eleitores, opiniões se dividiram entre o entusiasmo com a nova direção política e preocupações com o impacto fiscal de suas promessas.

O controle ampliado do Congresso é considerado estratégico para que Takaichi consiga avançar em suas pautas governamentais, que incluem reformas na política econômica, segurança nacional e manutenção de tradições monárquicas. O resultado consolidado das eleições ainda não havia sido divulgado oficialmente até o fechamento desta reportagem, mas as projeções indicam uma vitória decisiva que consolidará seu mandato nos próximos anos.