Presidente interina venezuelana recebe convite dos EUA, mas critica interferência
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concedeu uma entrevista exclusiva à NBC News, divulgada nesta quinta-feira (12), onde revelou detalhes sobre as relações diplomáticas com os Estados Unidos. Durante a conversa, Rodríguez confirmou que foi convidada para visitar o território americano, oportunidade que surgiu durante a visita do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, a Caracas.
Encontro diplomático e considerações sobre cooperação
O encontro entre a mandatária venezuelana e o representante do governo Trump ocorreu na quarta-feira (11), com foco principal na recuperação da indústria petrolífera do país caribenho. "Fui convidada para os Estados Unidos. Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo", declarou Rodríguez durante a entrevista.
Paralelamente, o presidente americano Donald Trump utilizou sua rede social Truth Social para comentar o estado das relações bilaterais. Em publicação, o ex-mandatário afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, e outros funcionários do governo estão "lidando muito bem" com a presidente interina venezuelana. Trump ainda destacou que "o petróleo está começando a fluir" e que "grandes quantias de dinheiro, não vistas há muitos anos, em breve ajudarão muito o povo da Venezuela".
Críticas às interferências estrangeiras
Apesar do tom conciliador em alguns momentos, Delcy Rodríguez demonstrou firmeza ao se posicionar contra interferências externas. No dia 25 de janeiro, durante discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país, a presidente interina foi categórica: "Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras".
Rodríguez não poupou palavras ao expressar seu descontentamento: "Estou farta das ordens vindas de Washington", declarou, reforçando sua posição de defender a soberania nacional.
Contexto político e transição de poder
Após a derrubada de Nicolás Maduro, Donald Trump anunciou que o governo interino de Delcy Rodríguez estaria sob tutela americana, com os Estados Unidos assumindo o controle do petróleo venezuelano, segundo informações da Casa Branca. Na ocasião, Trump e Rodríguez mantiveram conversa telefônica onde o ex-presidente americano elogiou a mandatária: "Falamos sobre muitas coisas, e acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela", disse Trump. "E ela é uma pessoa incrível. Quero dizer, é alguém com quem temos trabalhado muito bem".
Entretanto, em entrevista à revista The Atlantic, Trump adotou tom mais ameaçador ao afirmar que Rodríguez pagaria um "preço muito alto" caso não cooperasse com os Estados Unidos, sugerindo que as consequências poderiam ser ainda maiores do que as enfrentadas por Maduro.
Reconhecimento interno e posicionamento
Internamente, a decisão de manter Delcy Rodríguez como substituta presidencial foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela imediatamente após a remoção de Maduro do poder. O texto judicial justificou a medida como necessária para "garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação".
As Forças Armadas da Venezuela também reconheceram Rodríguez como presidente interina, com o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossando a decisão em pronunciamento em rede nacional e confirmando que ela permanecerá no cargo por 90 dias.
Em sua primeira declaração após a captura de Maduro, Rodríguez pediu calma à população e afirmou com determinação: "A Venezuela nunca será colônia de nenhuma nação". Ela classificou o episódio como um "sequestro" promovido pelos Estados Unidos.
Perfil da presidente interina
Delcy Rodríguez, advogada de 55 anos, ocupa cargos no governo venezuelano desde 2003, ainda durante a gestão de Hugo Chávez. Conhecida por seu perfil combativo e presença constante nos momentos de maior tensão institucional no país, Rodríguez agora enfrenta o desafio de equilibrar relações diplomáticas complexas enquanto busca manter a soberania venezuelana.
Segundo reportagem do The New York Times, semanas antes da operação que resultou na captura de Maduro, autoridades americanas já haviam considerado o nome de Delcy Rodríguez como "aceitável" para assumir interinamente o governo venezuelano, pelo menos de forma temporária.