Davos 2026: Trump e a ameaça de US$ 693 bi à economia transatlântica
Davos tenta evitar ruptura econômica entre EUA e Europa

O cenário da geopolítica global ganha um palco de tensão nesta semana com o início do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O evento, que começou nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, reúne cerca de 3.000 representantes de 130 países, mas todas as atenções se voltam para uma presença específica: a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja chegada está agendada para quarta-feira, 21.

A expectativa europeia e o plano de contingência

Em entrevista ao Conexão Record News, o professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, explicou que a principal esperança dos líderes europeus em Davos é convencer Trump a recuar das recentes ameaças de imposição de tarifas comerciais. No entanto, o realismo impera. "Eles não têm muita esperança de que Trump vá fazer isso, então já foram preparadas uma série de medidas de contenção", afirmou Trevisan.

Esse plano B já está estruturado e se baseia principalmente em medidas previstas para o acordo comercial de 2025. O bloco europeu estaria disposto a mobilizar um montante colossal, da ordem de US$ 693 bilhões, como forma de pressão econômica. O objetivo seria fazer os Estados Unidos reconsiderarem suas investidas e avanços políticos e econômicos em torno da Groenlândia, território autônomo dinamarquês que se tornou um ponto de discórdia.

O risco de uma ruptura e o fantasma da China

Trevisan ressalta a imprevisibilidade do momento. A possibilidade de uma ação militar surpresa, embora não seja a expectativa principal, não pode ser totalmente descartada. "Ele pode ainda assim promover um ataque militar? Pode. Tudo pode acontecer. É absolutamente imprevisível", ponderou o especialista.

As consequências de um rompimento, no entanto, seriam catastróficas. O professor é enfático ao afirmar que tal cenário destruiria as relações comerciais históricas entre Europa e Estados Unidos. O resultado seria uma crise econômica profunda para os americanos e uma reorientação estratégica inevitável para os europeus. "[Levaria] a uma crise econômica para este e uma união com a China para aquele", alertou Trevisan, traçando um novo eixo geopolítico que reconfiguraria a economia global.

Davos como arena do diálogo último

Diante desse quadro de altíssimo risco, o Fórum de Davos assume um papel crítico de mediação. "Davos vai tentar evitar esse 'derramamento de sangue' econômico", declarou o professor. O ambiente do encontro, propício ao entendimento e à conversação, será explorado ao máximo em busca de um acordo que preserve a coesão da economia transatlântica.

A missão é delicada e o desfecho, incerto. A comunidade internacional aguarda para ver se o diálogo prevalecerá sobre a confrontação. "Vamos aguardar e vamos ter esperança de que o bom senso vigore", concluiu Leonardo Trevisan, sintetizando o sentimento de apreensão que paira sobre os Alpes suíços nesta semana decisiva.