Crise política no Reino Unido atinge Partido Trabalhista após escândalo Epstein
Uma grave crise política abala o governo britânico nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, com repercussões diretas na liderança do primeiro-ministro Keir Starmer. O líder do Partido Trabalhista da Escócia, Anas Sarwar, fez um pedido público e contundente para que o premiê renuncie ao cargo, em meio a revelações explosivas sobre as ligações entre um ex-embaixador britânico nomeado por Starmer e o falecido predador sexual Jeffrey Epstein.
Revelações de documentos americanos desencadeiam turbulência
Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram à tona informações alarmantes sobre Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido em Washington nomeado pessoalmente por Keir Starmer em 2024. As evidências mostram que Mandelson mantinha uma perigosa ligação com Epstein, compartilhando inclusive dados confidenciais sobre mudanças na política fiscal britânica com o financista condenado por crimes sexuais.
Em coletiva de imprensa realizada em Glasgow, Anas Sarwar foi enfático ao declarar: "A distração precisa acabar, e a liderança em Downing Street tem que mudar". O político escocês argumentou que, embora considere Starmer um "homem decente", o escândalo está minando seriamente a capacidade do Partido Trabalhista de vencer as eleições parlamentares escocesas previstas para maio.
Repercussões internas e apoio ministerial dividido
O pedido de renúncia não vem isolado. Segundo a mídia britânica, outros políticos trabalhistas ecoam a posição de Sarwar, criando uma divisão interna significativa no partido no poder. A situação se agravou ainda mais com a renúncia do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, que assumiu total responsabilidade por ter aconselhado a nomeação controversa de Mandelson.
Em comunicado oficial, McSweeney afirmou: "A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política. Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho."
Enquanto isso, o primeiro-ministro recebeu apoio público de importantes ministros de seu gabinete, incluindo a secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, e a secretária de Educação, Bridget Phillipson. Cooper defendeu a liderança de Starmer, especialmente em um momento crucial para a política internacional: "Neste momento crucial para o mundo, precisamos de sua liderança não apenas em casa, mas no cenário global, e precisamos manter nosso foco no que importa, em manter nosso país seguro".
Detalhes comprometedores e reação de Starmer
Os documentos americanos revelaram detalhes ainda mais comprometedores sobre o caso:
- Extratos de pagamentos feitos por Jeffrey Epstein a Peter Mandelson
- Informações confidenciais sobre política fiscal britânica compartilhadas com o financista
- Uma polêmica fotografia de Mandelson em trajes íntimos ao lado de uma mulher
Diante das revelações, Keir Starmer reagiu acusando Mandelson de criar uma série de mentiras sobre seus vínculos com Epstein. O primeiro-ministro afirmou ter agido rapidamente para retirar todos os títulos do diplomata, a quem classificou como tendo "traído" o Reino Unido através de suas ações.
Esta crise representa o desafio mais sério enfrentado por Starmer em seus 18 meses no poder, levantando questões fundamentais sobre seu discernimento político e capacidade de liderança em um momento delicado tanto para a política doméstica britânica quanto para as relações internacionais do país.