Crise da Groenlândia Coloca Paz Mundial em Risco e Abala Aliança da Otan
A recente crise envolvendo a Groenlândia tem gerado tensões significativas entre os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), colocando em xeque a estabilidade geopolítica global. Mark Rutte, secretário-geral da Otan, reconheceu publicamente a situação, afirmando que "há tensões no momento, sem dúvidas". Em declarações recentes, Rutte enfatizou que a diplomacia ponderada é o único caminho viável para lidar com a questão, embora tenha descartado temores de que o impasse possa levar ao fim da aliança militar.
EUA Podem Deixar Liderança da Otan até 2027, com Alemanha no Comando
Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou a situação em profundidade. Ele argumenta que a ideia de um afastamento americano da liderança da Otan não é nova, lembrando a declaração do presidente francês Emmanuel Macron em 2019, que descreveu a aliança como tendo sofrido uma "morte cerebral". Brustolin prevê que os Estados Unidos devem sair da liderança do grupo até 2027, um movimento que já está em curso.
O especialista acredita que a Alemanha está posicionada para assumir esse posto de comando. Essa transição de poder se deve, em grande parte, a uma corrida armamentista que tem se espalhado pelos países europeus, incentivada pelas próprias políticas dos EUA. "Depois das ameaças e da pressão de Trump, a Europa passou a investir 5% do PIB em defesa", explicou Brustolin, destacando que os países europeus estão se armando em um nível não visto desde a Segunda Guerra Mundial.
Rússia Aproveita Divisões Estratégicas com Apoio à Anexação da Groenlândia
Enquanto isso, as ações do presidente norte-americano Donald Trump têm enfraquecido as relações com os aliados europeus, embora ele mesmo tenha admitido em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que o enfraquecimento da Otan não é do interesse dos Estados Unidos. No entanto, na análise de Brustolin, a Rússia apoia a anexação da Groenlândia precisamente porque essa ação poderia romper os laços entre Trump e os membros da Otan.
O pesquisador citou uma frase histórica de Napoleão Bonaparte para ilustrar a estratégia russa: "Nunca interrompa seu inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro". Brustolin explicou que os russos não desejam interromper Trump neste momento, pois seu objetivo de longo prazo é dividir os Estados Unidos da Europa. "Claramente os russos não querem interromper Trump nesse momento, porque o que os russos queriam era exatamente dividir os Estados Unidos da Europa, esse é um plano de muito tempo já", concluiu o especialista.
Mark Rutte planeja se reunir com Trump durante o Fórum Econômico Mundial para discutir essas questões, em um contexto onde o presidente americano já declarou que talvez seja a hora dos EUA se afastarem da organização. A crise da Groenlândia continua a ser um ponto de inflamação nas relações transatlânticas, com implicações profundas para a segurança global e a arquitetura internacional de defesa.