A campanha contra o voto feminino nos Estados Unidos ganha força com vozes de influenciadores e líderes religiosos. Em um podcast, o apresentador pergunta: "Que direito você tiraria das mulheres?" O influenciador de ultradireita Nick Fuentes responde: "Eu eliminaria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres, com certeza."
Argumentos religiosos e políticos
Não parece sério, mas é real: cresce o número de vozes nos EUA que defendem o fim do direito ao voto feminino. A ideia de "um voto por família, mas decidido pelo marido" é defendida pela Igreja de Cristo do pastor Doug Wilson, que integra a Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas. A "feliz submissão das esposas aos maridos" também é pregada pelo pastor Dale Partridge, que em fevereiro publicou no Instagram que "as mulheres votam de forma emocional" e que "a política nacional está feminizada", defendendo o fim da 19ª Emenda.
A 19ª Emenda sob ameaça
A 19ª Emenda transformou os EUA em uma democracia plena ao garantir o direito de voto às mulheres há 126 anos. Agora, o governo Trump propôs uma reforma eleitoral que cria obstáculos burocráticos ao voto de mulheres casadas que adotaram o sobrenome do marido. Embora não seja o fim da 19ª Emenda, representa uma grande dificuldade para o exercício desse direito.
Ativistas e a 'machosfera'
Ativistas como Nick Fuentes ganham espaço entre a ultradireita frustrada com promessas não cumpridas de Trump. Esse discurso é difundido na chamada "machosfera", que domina diversas redes sociais. E não é um discurso exclusivamente masculino: a comentarista política conservadora Helen Andrews escreveu um artigo sobre os perigos da "grande feminização institucional", argumento que abre caminho para a exclusão.
Mulheres contra o próprio voto
O jornal The New York Times publicou uma reportagem sobre mulheres que acreditam que deveriam perder o direito ao voto. Essas mulheres são adeptas do patriarcado bíblico e apoiam apenas um voto por domicílio. Esse repúdio público ao voto feminino surge num momento em que, nos círculos mais conservadores, as mulheres têm sido responsabilizadas pela instabilidade econômica, pelas leis que protegem o aborto e pelo avanço de agendas progressistas. Nos EUA, as mulheres tendem a votar mais em candidatos do Partido Democrata.



