Couto governa Rio sem base na Alerj e muda relações de poder
Couto governa Rio sem base na Alerj e muda poder

Couto governa Rio sem base na Alerj e muda relações de poder

Há dois meses à frente do Palácio Guanabara, o desembargador Ricardo Couto comanda o estado do Rio de Janeiro sem contar com uma base de deputados ou líder do governo na Assembleia Legislativa (Alerj). Esse cenário peculiar tem transformado as relações de poder no estado. No meio político fluminense, comenta-se que, enquanto os parlamentares precisam do governo — especialmente em ano eleitoral —, Couto não depende da Alerj.

O governador tem aberto as portas de seu gabinete, tanto no Tribunal de Justiça quanto no Guanabara, a deputados estaduais com papel de liderança, como presidentes de comissões. Ele informou que está disposto a receber esses representantes, já que não possui ninguém para fazer esse meio de campo no Legislativo. Em reuniões, deixou claro que nem quer ter qualquer interlocutor na Casa. As conversas com a instituição Alerj ocorrem unicamente por meio da presidência, ou seja, com Douglas Ruas (PL).

Pré-candidato a governador, Ruas mantém uma relação superficial com Couto, sendo visto nos bastidores da direita como uma pedra no sapato. Após as manobras frustradas do PL para colocar Ruas como interino no cargo, Couto segue com a caneta na mão e realiza um pente-fino que vem desaparelhando o governo. Deputados estaduais têm perdido cargos em série às vésperas do pleito de outubro. “Os deputados estão acuados e não podem fazer nada”, afirma a VEJA um político com grande influência no Legislativo.

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Mudanças no governo e impacto eleitoral

A avaliação é que as mudanças no governo, com a nomeação de procuradores e servidores de carreira para postos-chave, tornarão a campanha para as 70 cadeiras da Alerj bem mais equilibrada. “A correlação de forças muda, porque não há mais máquina com esses deputados que formavam a base do governo. Ficará mais fácil entrar para quem está fora”, analisa uma fonte da Alerj.

O programa Segurança Presente, que reforça o policiamento por meio do pagamento de gratificações a praças e oficiais, era uma das áreas loteadas que foi “despolitizada” por Couto. O governador transferiu a iniciativa da Secretaria de Governo para a Polícia Militar, seu braço operacional. “O programa Segurança Presente era comandado pela política, e não pela polícia”, afirma o deputado Vitor Júnior (PDT), que levou ao Ministério Público denúncias envolvendo indicações, com policiais prestando serviços a políticos.

Ambiente político tenso na Alerj

Na Assembleia, como a maioria dos deputados integrava a base de Castro, o ambiente político vai de mal a pior, especialmente com a espera de novas operações da Polícia Federal. Em menos de um ano, três deputados foram presos: TH Joias, o ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil) e Thiago Rangel (Avante). A PF já indicou que o esquema de corrupção, com infiltração do crime organizado e liderado por Bacellar, é bem maior e que há mais políticos envolvidos.

O desembargador governa com um ativo raro na agitada política fluminense: o respaldo de ministros do Supremo Tribunal Federal, que enxergam em sua permanência temporária uma solução institucional segura, especialmente diante das desconfianças sobre a Alerj. A um colega magistrado, Couto confidenciou que duas coisas lhe tiram o sono: o volume de trabalho e os problemas que começou a encontrar no governo. O plano para enfrentar as turbulências é manter uma distância cautelosa da política durante sua passagem pelo Palácio Guanabara.

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