Trump lança Conselho da Paz para Gaza e enfrenta boicote de aliados europeus
Conselho da Paz de Trump para Gaza sofre boicote europeu

Conselho da Paz de Trump para Gaza enfrenta resistência internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) em Washington a primeira cúpula do chamado "Conselho da Paz", uma iniciativa criada para supervisionar os esforços de estabilização em Gaza. O encontro ocorre no United States Institute of Peace e reúne representantes de aproximadamente 40 países, incluindo ao menos cinco chefes de Estado, mas já nasce sob forte contestação internacional.

Boicote de aliados tradicionais expõe divisões

A ausência de aliados estratégicos dos Estados Unidos marcou o início da iniciativa. Reino Unido, França, Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram formalmente o convite para integrar o novo organismo, citando preocupações com seu estatuto e com o possível enfraquecimento do papel da Organização das Nações Unidas nas missões de paz globais. O Vaticano também confirmou que o Papa Leão XIV recusou participação, reiterando que a ONU é o foro apropriado para gestão de crises internacionais.

A União Europeia enviou como representante a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, mas informou que o bloco não aderirá formalmente ao novo organismo, mantendo-se apenas como observadora, posição similar à adotada pela Itália. O Canadá foi excluído após divergências públicas entre Trump e o primeiro-ministro canadense, enquanto a Rússia, convidada a integrar o conselho, indicou que não participará da primeira reunião, mantendo sua posição sob avaliação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Plano bilionário e força de estabilização

A Casa Branca anunciou durante o encontro um plano multibilionário de reconstrução de Gaza, com Trump afirmando que mais de US$ 5 bilhões já teriam sido prometidos por países participantes, embora os doadores não tenham sido identificados publicamente. Também foi apresentada a proposta de uma força de estabilização com autorização da ONU para atuar no território palestino, com alguns países estudando enviar "vários milhares" de soldados para compor a missão, segundo alto funcionário americano ouvido pela NBC News.

A pauta do conselho inclui ainda:

  • Ajuda humanitária imediata para a população de Gaza
  • Criação de um comitê nacional para administrar o território
  • Estruturação de uma força internacional de segurança
  • Desmilitarização do Hamas como cláusula central do acordo

Críticas de palestinos e especialistas

O projeto enfrenta críticas significativas por suposta falta de representatividade palestina na estrutura decisória sobre Gaza. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, por meio de assessor, classificou a proposta como inaceitável "em quaisquer circunstâncias", ainda que a considere menos prejudicial do que alternativas unilaterais. Especialistas apontam que o mandato do conselho foi ampliado sem clareza sobre como os interesses da população de Gaza serão incorporados.

Um órgão tecnocrático supervisionado pelo conselho deverá administrar o dia a dia do território e será liderado pelo funcionário palestino Ali Shaath, mas analistas questionam a efetividade deste arranjo diante das complexidades políticas da região.

Cessar-fogo frágil e contexto regional

A reunião ocorre em meio a um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas. Embora o acordo esteja formalmente em vigor, ataques aéreos israelenses continuam sendo registrados em Gaza, segundo autoridades de saúde palestinas, com ambas as partes trocando acusações de violações do acordo. Grande parte da população de Gaza permanece deslocada e vivendo em abrigos improvisados, enquanto a reconstrução enfrenta desafios logísticos e políticos significativos.

Ao defender a criação do Conselho da Paz, Trump afirmou que a iniciativa poderá atuar "muito além de Gaza" e trabalhar "em conjunto com a ONU", embora tenha criticado o desempenho do organismo internacional em discurso durante o encontro. "Acho que pode ser um instrumento para a paz no mundo todo", declarou o presidente americano, sinalizando ambições globais para o novo fórum.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Entre os confirmados na reunião estão o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Argentina, Javier Milei, ambos alinhados politicamente a Trump, demonstrando as divisões geopolíticas que marcam esta iniciativa desde seu lançamento.